Houthis do Iêmen afirmam ter atacado petroleiro saudita no Mar Vermelho

Índia condena ataque a embarcação

Uma embarcação com uma bandeira indiana foi atingida e afundada por um projétil ao largo da costa do Iêmen, informaram autoridades do país na terça-feira (4), no mais recente incidente a evidenciar o risco contínuo para a navegação na região.

Segundo Sarbananda Sonowal, ministro de Portos, Navegações e Vias Navegáveis da Índia, em uma publicação na rede social X, a embarcação MSV Faize Noore Oliya foi “atingida por um projétil perto de águas iemenitas”.

Ele não informou quem foi o responsável pelo ataque.

“A Índia condena veementemente este ataque não provocado à embarcação a vela motorizada indefesa”, escreveu ele. “A segurança do nosso povo é a nossa prioridade máxima, e sinto-me aliviado ao informar que todos os 14 tripulantes (incluindo 13 indianos) foram resgatados em segurança pela Guarda Costeira do Iêmen e levados para o Porto de Mokha.”

O Ministério das Relações Exteriores da Índia classificou como “profundamente preocupantes” os “incidentes contínuos de ataques” na região, em uma publicação no X.

O órgão também pediu o fim dos ataques contra a navegação comercial na área.

Não houve comentários por parte do grupo, acrescentou a Reuters.

No mês passado, os Houthis ameaçaram interromper a navegação pelo Estreito de Bab el-Mandeb, um ponto estratégico de passagem no extremo sul do Mar Vermelho, ampliando um conflito que já havia bloqueado o fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz.

Entenda quem são os Houthis

O movimento Houthi, também conhecido como Ansarallah (Apoiadores de Deus), é um dos lados da guerra civil no Iêmen.

Ele surgiu na década de 1990, quando seu líder, Hussein al-Houthi, lançou a “Juventude Crente”, um movimento de renovação religiosa para uma antiga seita do islamismo xiita chamada zaidismo.

Os zaiditas governaram o Iêmen por séculos, mas foram marginalizados sob o regime sunita que chegou ao poder após a guerra civil de 1962.

O movimento de al-Houthi foi fundado para representar os Zaidis e resistir ao sunismo radical, particularmente às ideias Wahhabi da Arábia Saudita. Seus seguidores mais próximos ficaram conhecidos como Houthis.

No início de 2025, Donald Trump assinou uma ordem designando os Houthis como uma “organização terrorista estrangeira”.

Quem são seus aliados?

Os Houthis são apoiados pelo Irã, que começou a aumentar a sua ajuda ao grupo em 2014, à medida que a guerra civil escalava e a sua rivalidade com a Arábia Saudita se intensificava.

O Irã forneceu ao grupo tecnologia e armas, como minas marítimas, mísseis balísticos e de cruzeiro e veículos aéreos não tripulados (UAVs e drones), de acordo com um relatório de 2021 do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Os Houthis fazem parte do chamado “Eixo da Resistência” do Irã – uma aliança contra Israel e o Ocidente de milícias regionais apoiadas pelo Irã.

Juntamente com o Hamas, em Gaza, e o Hezbollah, no Líbano, esse é um dos três grupos mais proeminentes apoiados pelo regime iraniano.

Quão poderosos são os Houthis?

As autoridades americanas têm monitorado melhorias no alcance, precisão e letalidade dos mísseis Houthis produzidos internamente.

Inicialmente, as armas dos Houthis foram em grande parte montadas com componentes iranianos contrabandeados em pedaços para o Iêmen, disse à CNN uma fonte com informações da inteligência dos EUA.

Mas eles fizeram modificações progressivas que resultaram em grandes melhorias gerais. Por exemplo, os Houthis usaram mísseis balísticos de médio alcance contra Israel.

E, embora os Houthis não representem uma ameaça séria para Israel, sua tecnologia pode causar estragos no Mar Vermelho. Eles usaram drones e mísseis antinavios para atingir navios comerciais, impactando diretamente rotas de transporte.

Como os Houthis ganharam poder?

Ali Abdullah Saleh, o primeiro presidente do Iêmen após a unificação do Iêmen do Norte e do Sul em 1990, inicialmente apoiou o “Juventude que Acredita”. Mas, à medida que a popularidade do movimento cresceu e a retórica antigovernamental aumentou, o grupo se tornou uma ameaça para Saleh.

O auge das desavenças foi em 2003, quando Saleh apoiou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, à qual muitos iemenitas se opuseram.

Para al-Houthi, a ruptura foi uma oportunidade. Aproveitando a indignação pública, ele organizou manifestações em massa. Após meses de desordem, Saleh emitiu um mandado de prisão contra o opositor.

Al-Houthi foi morto em setembro de 2004 pelas forças iemenitas, mas o movimento sobreviveu. A ala militar Houthi cresceu à medida que mais combatentes se juntaram à causa.

Encorajados pelos primeiros protestos da Primavera Árabe em 2011, assumiram o controle da província de Saada, no norte, e pediram o fim do regime de Saleh.

Os Houthis controlam o Iêmen?

Ali Abdullah Saleh concordou em 2011 em entregar o poder ao seu vice-presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi, mas o governo não tinha mais apoio popular.

Os Houthis atacaram novamente em 2014, assumindo o controle de partes de Sanaa, capital do Iêmen, antes de finalmente invadirem o palácio presidencial no início de 2015.

Hadi fugiu para a Arábia Saudita, país que lançou uma guerra contra os Houthis a seu pedido em março de 2015.

O que se esperava que fosse uma campanha rápida durou anos. Um cessar-fogo só foi assinado em 2022, mas ele expirou seis meses depois.

De toda forma, as partes em guerra não voltaram ao conflito em grande escala.

Quase 250 mil pessoas foram mortas durante o conflito, segundo estatísticas da ONU.

Desde o cessar-fogo, os Houthis consolidaram o seu controle sobre a maior parte do norte do Iêmen. Eles também procuraram um acordo com os sauditas para por fim permanente à guerra e consolidar o seu papel como governantes do país.

Com informações de Katie Bo Lillis e Natasha Bertrand, da CNN

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