PT forma coligação à esquerda enquanto PL ainda busca aliança; veja chapas

O PT formalizou sua coligação para as eleições presidenciais, mantendo uma composição inteiramente à esquerda, com Geraldo Alckmin (PSB) confirmado como candidato a vice. Já o PL segue em busca de alianças para compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL), que ainda não definiu seu vice e enfrenta seguidas recusas de partidos do Centrão.

Analistas de Política da CNN comentaram, durante o CNN Eleições – Convenções, como estão configuradas as principais candidaturas até o momento.

PT aposta em coligação progressista e discurso de futuro

A coligação do PT é descrita como muito semelhante à formada em 2022, com um destaque relevante: a adesão do PDT, partido que nas últimas eleições lançou candidatura própria com Ciro Gomes.

Segundo o analista de Política da CNN Caio Junqueira, a campanha petista reconhece as altas taxas simultâneas de aprovação e desaprovação do atual governo — ambas na casa dos 45% a 48% — e opta por não apresentar um Brasil idealizado.

“A linha da campanha é justamente não tentar vender um Brasil que não existe”, avaliou Caio Junqueira. A estratégia, segundo ele, é projetar propostas para um eventual novo mandato, o que a campanha internamente chama de “realismo”.

Entre os temas apresentados no discurso de convenção estão um programa especial para idosos, o combate ao feminicídio, o desenvolvimento de minerais críticos e da indústria de defesa.

Segurança pública e ajuste fiscal ficam em segundo plano

A analista de Política da CNN Isabel Mega destacou que o tema da segurança pública — apontado como a principal preocupação do eleitorado brasileiro neste ciclo eleitoral — foi apenas tangenciado no discurso de 62 minutos proferido na convenção.

“Ele só margeou esse assunto, tangenciou quando falou, por exemplo, da questão do feminicídio, mas sem apresentação de uma linha propositiva a respeito de segurança pública”, afirmou.

O ajuste fiscal também foi tratado com cautela. A campanha, segundo Isabel Mega, ainda calibra seu discurso econômico e reserva para o ato do dia 16, no estádio da Vila Euclides, no ABC paulista, a apresentação mais detalhada do plano de governo. “Fica ainda uma dúvida sobre como eles vão balizar esse discurso da economia”, disse a analista.

Crítica ao Congresso e tensão com o Centrão

Outro ponto destacado pelo analista de Política da CNN Pedro Venceslau foi a crítica feita durante a convenção às emendas parlamentares, interpretada como um ataque direto ao Congresso Nacional.

A analista de Política da CNN Julliana Lopes relatou que uma fonte do Centrão classificou o discurso como “muito perigoso”, alertando que a próxima composição da Câmara dos Deputados e do Senado tende a ser ainda mais favorável ao Centrão e à oposição bolsonarista.

“O Centrão não quer saber dessa conversa de fazer uma ‘cruzada’ contra as emendas parlamentares”, disse a fonte, segundo Julliana Lopes. A avaliação é de que, caso seja reeleito, o candidato enfrentará sérias dificuldades de articulação política com um Legislativo mais resistente às suas pautas.

Flávio Bolsonaro isolado e sem vice definido

A situação do PL é de crescente isolamento. Na semana anterior, a Federação Progressistas e União Brasil negaram apoio à chapa de Flávio Bolsonaro (PL), assim como o Republicanos, que optou pela neutralidade após reunião com o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL).

Segundo a analista de Política da CNN Jussara Soares, a opção pela neutralidade reflete uma estratégia dos partidos do Centrão de preservar independência para negociar com qualquer governo eleito.

“Independente, se a gente não fechar a aliança agora e conseguir se distanciar de Flávio Bolsonaro, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, estamos prontos para conversar”, relatou a analista, com base em suas apurações.

A campanha de Flávio Bolsonaro ainda tentará uma aproximação com o Podemos, cuja convenção está marcada para a quarta-feira (5), último dia do prazo para formalização das atas partidárias.

Demais candidaturas já definiram chapas

Entre os outros candidatos mencionados, Ronaldo Caiado (PSD) já tem Gilberto Kassab (PSD) como vice, e Renan Santos (Missão), terá o Coronel Aroldo Medina (Missão). Romeu Zema (Novo), por sua vez, também segue sem definição de vice e sinalizou que a escolha ocorrerá somente no prazo final, dia 5 de agosto, aguardando ainda a possibilidade de compor uma coligação.

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