Ataques de Israel deixam 18 mortos em Gaza e governo nega acordo por trégua

Ataques aéreos de Israel atingiram a Faixa de Gaza pelo segundo dia consecutivo neste domingo (2), matando pelo menos 18 palestinos, segundo equipes médicas, apesar do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um avanço nas negociações para implementar o acordo de cessar-fogo firmado no ano passado.

Desde o amanhecer, aviões de guerra israelenses bombardearam a Cidade de Gaza, no norte do território, a cidade central de Deir al-Balah e a região de Khan Younis, no sul, provocando o maior número de mortes em um único dia nas últimas semanas, de acordo com autoridades de saúde palestinas.

A afirmação de Trump, feita na quinta-feira (31), de que o grupo militante palestino Hamas e outras facções armadas haviam concordado em se desarmar aumentou as esperanças de um avanço para encerrar o conflito.

Neste domingo, o ministro da energia de Israel, Eli Cohen — integrante do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu — afirmou que o governo dará ao Hamas a oportunidade de se desarmar, mas disse estar “muito cético” de que isso aconteça.

Cohen declarou à Rádio do Exército de Israel que não houve acordo para interromper os ataques a Gaza e que, em sua opinião, Israel, que já controla 70% do enclave, precisa assumir o controle total caso o Hamas não se desarme.

“No acordo que assinamos com os Estados Unidos, nossa posição é que o Hamas deve ser desmantelado. Essa é a primeira coisa que precisa acontecer”, afirmou.

Mais tarde, no domingo, um porta-voz do gabinete de Netanyahu disse à Reuters que Israel expressou aos EUA preocupações sobre o plano de desarmamento.

“A maior preocupação de Israel é que nada aconteça antes que o Hamas se desarme completa e verdadeiramente…”, disse Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense.

Ataques atingem tendas, apartamento e casa, dizem médicos

Os bombardeios em Deir al-Balah mataram pelo menos quatro pessoas, segundo autoridades de saúde palestinas. Outro ataque deixou cinco feridos e incendiou algumas tendas na região de Mawasi, perto de Khan Younis, de acordo com o serviço de emergência civil.

Um casal e o filho de 9 anos morreram após um ataque a uma casa em Mawasi, informaram autoridades palestinas.

Outro casal morreu junto com o filho em um bombardeio a um apartamento na Cidade de Gaza, onde outras duas pessoas morreram após um ataque a uma tenda próxima ao escritório da missão diplomática do Egito, segundo equipes médicas. Mais tarde, outras duas pessoas morreram no bairro de Zeitoun, no leste da cidade.

Uma pessoa também morreu perto de Jabalia, no norte de Gaza, informaram autoridades palestinas.

O Exército de Israel afirmou que o ataque ao apartamento em Deir al-Balah tinha como alvo dois comandantes da força de elite “Nukhba”, do Hamas.

Os ataques na Cidade de Gaza e em Jabalia também tiveram como alvo “operativos militares”, mas os militares ainda estavam avaliando a situação, acrescentou a fonte.

Em um ataque subsequente à Cidade de Gaza, médicos disseram que um ataque aéreo israelense contra um carro matou pelo menos três palestinos perto da Praça Saraya.

O Conselho de Paz de Trump, órgão liderado pelos Estados Unidos responsável por supervisionar o cessar-fogo, publicou na sexta-feira (1º) um roteiro com 15 pontos que estabelece as etapas finais para implementar o acordo.

Nickolay Mladenov, principal enviado do Conselho de Paz para Gaza, afirmou que os ataques em Gaza ocorreram apesar dos esforços do Conselho e dos mediadores para levar as facções palestinas a um acordo sobre o roteiro para a implementação do plano de Trump.

Ele afirmou em uma publicação no X que estava trabalhando com as partes, mediadores e parceiros regionais para “reduzir a tensão e criar espaço para a plena implementação do plano do Presidente”.

“Alcançar uma paz duradoura é difícil, mas possível se todos fizerem o seu melhor”, disse Mladenov.

Desde que o cessar-fogo foi firmado, em outubro, ao menos 1.230 palestinos morreram em ataques israelenses, segundo as autoridades de saúde de Gaza. O Hamas não divulga o número de combatentes mortos.

No mesmo período, quatro soldados israelenses morreram, segundo dados divulgados por Israel.

Hamas diz ter demonstrado flexibilidade

O Hamas afirma que Israel precisa interromper os ataques em Gaza e retirar suas tropas do território, conforme previsto em outras cláusulas centrais do cessar-fogo, antes que o grupo concorde em entregar suas armas a uma nova autoridade palestina responsável pela administração da faixa.

Um alto dirigente do Hamas afirmou neste domingo que o grupo demonstrou “considerável flexibilidade”, mas acusou Israel de tentar impor uma nova realidade no terreno ao intensificar os bombardeios.

“Essa escalada, coincidindo com avanços na frente política, demonstra claramente que o governo da ocupação busca minar os esforços para encerrar a guerra e impor fatos consumados pela força”, afirmou Basem Naim em comunicado.

O ex-dirigente do Fatah, Mohammed Dahlan, atualmente radicado nos Emirados Árabes Unidos, afirmou em uma publicação no Facebook que Jared Kushner, genro de Trump e um dos principais assessores envolvidos na iniciativa americana, disse a ele que está trabalhando com o governo israelense para interromper os ataques contra Gaza.

Dahlan afirmou que os contatos com os Estados Unidos continuam para garantir a implementação integral do acordo e acrescentou que o sucesso da iniciativa agora depende de Israel encerrar completamente seus ataques diários contra Gaza.

A Reuters entrou em contato com o Departamento de Estado dos Estados Unidos para comentar as declarações de Dahlan. Não houve resposta imediata de Israel.

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