Bioinsumos podem adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB brasileiro, diz FGV

A adoção de bioinsumos na agricultura brasileira pode adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) entre 2030 e 2035, evitar o desmatamento de 9,2 milhões de hectares e gerar cerca de 160,5 mil novos empregos. As estimativas são de um estudo elaborado pelo Observatório de Bioeconomia da FGV (Fundação Getulio Vargas), com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni.

A pesquisa avaliou os impactos econômicos, sociais e ambientais da adoção de bioinsumos e de outras seis tecnologias previstas no Plano ABC+. Entre os produtos considerados estão a Fixação Biológica do Nitrogênio e microrganismos promotores de crescimento vegetal, utilizados para aumentar a eficiência da produção agrícola.

Segundo o levantamento, o uso dessas tecnologias pode gerar retorno de R$ 79 para cada R$ 1 investido nas lavouras de arroz, milho, cana-de-açúcar e soja. 

O estudo estima que, até 2030, a adoção de bioinsumos alcance cerca de 13 milhões de hectares, com impacto equivalente a 0,13% do PIB e geração de aproximadamente R$ 15,2 bilhões por ano em valor econômico, além dos efeitos sobre produtividade e uso da terra.

O estudo também projeta a criação de aproximadamente 160,5 mil novos postos de trabalho em áreas como produção local, biofábricas, pesquisa e desenvolvimento, controle de qualidade, logística e assistência técnica especializada.

Na avaliação da FGV, a ampliação do uso de bioinsumos também pode reduzir a pressão por abertura de novas áreas agrícolas. O estudo estima que 9,2 milhões de hectares de desmatamento poderão ser evitados, principalmente nos biomas Cerrado e Amazônia, em função do aumento da produtividade. 

Além disso, cerca de 4,8 milhões de hectares de pastagens com algum nível de degradação poderão ser convertidos em áreas agrícolas, enquanto outros 14,1 milhões de hectares de lavouras poderão registrar ganhos de produtividade. As estimativas apontam para um crescimento de até 3,4% na produção de soja e de 1,5% na produção de milho.

“O estudo mostra que o uso de bioinsumos pode gerar grandes contribuições para o País. Além do retorno econômico, com possibilidade de ganhos rápidos e baixo investimento, a tecnologia traz benefícios ambientais bastante expressivos, possibilitando a proteção dos biomas e a redução da abertura de novas fronteiras agrícolas”, afirmou o pesquisador da FGV responsável pelo levantamento, Cícero Lima.

Os resultados também são apresentados pelo Instituto Equilíbrio como parte da discussão sobre fertilizantes verdes, uma das frentes de atuação da entidade voltada à agricultura regenerativa. Segundo o instituto, a substituição da rota fóssil pela produção de fertilizantes por processos de menor impacto ambiental pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente de óxido nitroso (N₂O), além de diminuir a dependência brasileira da importação de fertilizantes, que atualmente responde por cerca de 85% do consumo nacional.

Para o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes e do Profert (Programa Nacional de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), aliado à ampliação da coordenação entre setor público e iniciativa privada, pode contribuir para estimular investimentos e ampliar a produção nacional de fertilizantes de menor impacto ambiental.

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