O aumento de mais de quatro vezes no número de reclamações contra a Sabesp no Procon-SP, desde a privatização da companhia, é reflexo da intensificação das obras de expansão do saneamento no estado. A avaliação é da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende, em entrevista ao Conexão Infra.
Natália lembrou que a companhia saiu de um patamar de investimentos entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões por ano para aplicar mais de R$ 15 bilhões apenas em 2025 e que 2 milhões de pessoas foram adicionadas no sistema de abastecimento de água.
Afirmou ainda que a ampliação dos investimentos elevou o volume de intervenções nas cidades, provocando impactos temporários à população, como interrupções no trânsito e no abastecimento de água.
“Quando você começa essas obras, há interrupções no trânsito. Problemas que sempre aconteceram, como a pressão noturna da rede, agora aparecem mais porque, com o novo contrato, conseguimos ser mais transparentes. A Sabesp sempre fez isso”, disse.
Aumento de reclamações
Os dados do Procon-SP mostram que, em 2025, a Sabesp liderou o ranking de reclamações do órgão com 6,9 mil requerimentos, um volume quatro vezes superior ao registrado antes da privatização, concluída em 2024.
Em 2023, a companhia acumulava cerca de 1,6 mil reclamações ao ano. Apesar do aumento da demanda, o índice de resolução permaneceu praticamente estável, em torno de 30%, o que significa que praticamente 70% das reclamações registradas em 2025 não foram solucionadas.
Outro fator apontado pela secretária para o crescimento das reclamações foi a substituição de hidrômetros antigos instalados nas residências paulistas. Segundo ela, a troca dos equipamentos revelou vazamentos internos que antes não eram identificados.
Renovação da infraestrutura
Natália também afirmou que o sistema de abastecimento da capital e da região metropolitana ainda enfrenta desafios por conta da idade da infraestrutura. Atualmente, as perdas de água na distribuição estão em cerca de 30%, abaixo da média nacional, de aproximadamente 40%, mas ainda consideradas elevadas.
A secretária destacou que a privatização permitiu a criação de um contrato mais robusto, com metas e mecanismos de cobrança mais rigorosos; e defendeu que a tarifa da Sabesp ficou menor após a privatização graças à criação de um fundo abastecido com os dividendos recebidos pelo Governo de São Paulo, que permaneceu como principal acionista da empresa.