Imagens filmadas da perspectiva de um bombeiro mostram equipes francesas combatendo incêndios florestais perto de Bordeaux, no sudoeste da França, na segunda-feira (27), enquanto chamas e fumaça tomavam conta de parte da floresta.
O fogo devastou uma região já castigada por um verão de calor intenso e tempo seco. As equipes tentavam aproveitar as condições meteorológicas mais favoráveis antes da chegada de uma nova onda de temperaturas mais altas, prevista para começar nesta quarta-feira (29).
A agência de notícias Reuters verificou a localização com base na torre de transmissão, nas árvores da estrada visíveis no vídeo, elementos que coincidiam com imagens de arquivo e de satélite da região.
A data da gravação do vídeo foi confirmada pelos metadados do arquivo original. Imagens captadas pela Reuters em 27 de julho também mostram incêndios florestais em Saint-Jean-D’Illac, a oeste de Bordeaux.
Os incêndios florestais na França já consumiram uma área maior do que a registrada na mesma época de qualquer ano desde 2006.
Incêndios podem demorar meses para serem extintos
O incêndio que se alastra por partes do sudoeste da França pode levar meses para ser controlado, segundo autoridades de combate a incêndios.
O incêndio florestal continuará queimando por “algumas semanas, provavelmente vários meses” antes de ser totalmente extinto, disse nesta segunda-feira (27) o tenente-coronel David Annotel, da Federação Nacional dos Bombeiros da França, à emissora de rádio RTL.
Um incêndio ocorrido em 2022 na mesma região — que era menor — levou meses para ser extinto, observou ele.
Os próximos dois dias serão cruciais para o combate às chamas, antes que as condições de onda de calor retornem na quarta-feira (29), acrescentou Annotel.
Os incêndios florestais que assolam o sudoeste da França são tão intensos que criaram seu próprio sistema meteorológico, segundo as autoridades de combate a incêndios.
Nuvens de fogo, ou “pirocumulonimbus”, são nuvens gigantescas formadas por incêndios florestais particularmente intensos.
O processo acontece quando incêndios de grande porte fazem com que o calor suba rapidamente para o ar acima, tornando-o mais leve e permitindo que ele ascenda velozmente em direção às camadas mais frias da atmosfera.
À medida que sobe, o ar esfria e pode se condensar, formando nuvens de tempestade imponentes capazes de gerar seu próprio clima: produzindo chuva, vento e até mesmo raios.
Essas nuvens de fogo são perigosas, pois não apenas podem fazer com que as chamas abaixo se propaguem mais rapidamente, como também os raios que produzem podem iniciar novos incêndios.
Elas também podem tornar os incêndios menos previsíveis e mais difíceis de combater.
É um fenômeno “que nunca vimos na França”, disse Mark Vermeulen, chefe do serviço de bombeiros e resgate da região de Gironde, em uma coletiva de imprensa no domingo.