George Russell afirmou que a Mercedes identificou e solucionou o problema que vinha comprometendo o desempenho de seu carro e disse ter saído da situação mais fortalecido mentalmente.
O britânico demonstrou irritação pelo rádio da equipe durante a primeira volta do Grande Prêmio da Bélgica, no último domingo (19), ao perceber a perda de velocidade nas retas.
Pouco depois, abandonou a prova após uma colisão com o piloto da Ferrari, Lewis Hamilton.
Apontado como um dos favoritos ao título antes do início da temporada, Russell ocupa atualmente a terceira colocação no campeonato, 50 pontos atrás do líder e companheiro de equipe, o italiano Kimi Antonelli.
Aos 19 anos, Antonelli soma seis vitórias nas dez primeiras etapas do ano.
Em entrevista à imprensa britânica antes do Grande Prêmio da Hungria, Russell comparou o momento atual à campanha que lhe rendeu o título da Fórmula 2.
“Lembrou muito minha temporada na F2, quando parecia que um problema surgia atrás do outro. Você se recuperava e logo era derrubado novamente.”
Apesar do revés na Bélgica, o piloto afirmou que a equipe encontrou respostas positivas após análises realizadas na fábrica.
“Três dias depois, estou me sentindo bem e feliz por termos encontrado respostas positivas na fábrica. Agora é olhar para frente.”
Problema estava na calibração do software
Questionado sobre a origem da falha, Russell explicou que as novas unidades de potência da Fórmula 1 são extremamente complexas e ainda estão sendo totalmente compreendidas pelas equipes.
Segundo ele, o defeito estava relacionado a um detalhe na calibração do software.
“Havia algo muito profundo na calibração do código. Era praticamente impossível identificar, a menos que você soubesse exatamente o que procurar. Estou feliz por termos encontrado isso.”
Russell admitiu que o problema foi frustrante, mas ressaltou que prefere concentrar suas atenções nas próximas corridas.
“Claro que é frustrante pelo que aconteceu no domingo, mas agora estou focado no que vem pela frente. É assim que o esporte funciona.”
Ao ser questionado se tinha confiança de que a falha havia sido eliminada definitivamente, o britânico respondeu que tudo se resume aos dados analisados pela equipe.
“No fim, são números em uma tela de computador. Com o novo regulamento, mudanças técnicas e menos sensores em determinadas áreas, ficou muito mais difícil para a equipe entender exatamente o que estava acontecendo.”
Foco na recuperação no campeonato
Russell destacou que, apesar de não ter pontuado na Bélgica, a diferença para Antonelli diminuiu em relação ao que era após o GP de Mônaco, em junho. Na ocasião, a desvantagem havia chegado a 68 pontos. Agora, ela é de 50, restando ainda mais da metade da temporada pela frente.
O piloto também afirmou que os problemas no carro acabaram prejudicando sua preparação ao longo do campeonato, já que precisou gastar muito tempo tentando adaptar seu estilo de pilotagem, em vez de simplesmente buscar velocidade e consistência.
“Definitivamente, sinto que este é o momento em que fui mais resiliente em toda a minha vida. Tenho orgulho da minha força mental fora do carro.”
Russell também reconheceu que poderia ter se expressado de maneira diferente durante o desabafo pelo rádio na Bélgica, mas disse que a reação foi consequência da intensidade do momento.
“Toda a equipe está ao meu lado, assim como eu estou ao lado deles. Eu já vinha falando bastante sobre esse problema antes e durante Spa e, no fim, conseguimos alcançar o que queríamos, que era confirmar que realmente havia uma falha.”