Dados de eleitores em 18 estados foram adquiridos pela China, diz Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que as agências de espionagem dos EUA começaram a tomar conhecimento, em 2020, de que “dezenas de milhões de dados de eleitores em 18 estados foram comprados, roubados ou hackeados pela China”.

De acordo com a Casa Branca, os arquivos de registro de eleitores foram comprados ilicitamente, roubados, hackeados ou obtidos ilegalmente pela China. (Muitos estados vendem abertamente e sem controvérsia versões de seus dados de eleitores, mas apenas a parte que contém informações públicas.)

Um adversário estrangeiro pode aprender muito sobre os americanos acessando os registros eleitorais dos EUA. E isso cria uma possibilidade real de caos no dia da eleição, caso o agente estrangeiro consiga acessar bancos de dados ativos e comece a manipular os registros.

Mas os EUA nunca acusaram a China de adulterar ou excluir registros de eleitores.

Arquivos divulgados pela Casa Branca

Em seu discurso em horário nobre nesta quinta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que existem vulnerabilidades nos sistemas eleitorais americanos e usou um grande conjunto de documentos recém-divulgados como evidência para sustentar que futuras eleições podem estar sob risco de interferência estrangeira, especialmente por parte da China.

Embora os documentos tenham sido desclassificados agora, eles tratam, em grande parte, de vulnerabilidades conhecidas há anos e que autoridades eleitorais em todo o país vêm tentando corrigir.

Nenhuma das informações desclassificadas sustenta a alegação de que os resultados de eleições anteriores — incluindo a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden — tenham sido manipulados por interferência estrangeira ou fraude de forma capaz de alterar o resultado.

Em vez disso, autoridades da Casa Branca afirmam que a divulgação dos documentos não tem como objetivo reabrir o debate sobre eleições passadas, mas sim corrigir vulnerabilidades antes das eleições legislativas de novembro. Isso ocorre apesar de o segundo governo Trump ter encerrado diversas estruturas federais responsáveis por monitorar e divulgar campanhas de influência estrangeira.

Integrantes da Casa Branca também sugerem que parte dessas informações, algumas conhecidas há anos, teria sido ocultada de altas autoridades eleitas dos EUA, incluindo o próprio Trump, por motivos políticos.

Entre os principais pontos que Trump pretende abordar estão:

  • Alegações de que existem graves vulnerabilidades nas urnas eletrônicas dos EUA;
  • Alegações de que a China obteve dados eleitorais de milhões de americanos;
  • Alegações de fraude sistêmica no registro de eleitores promovida por democratas em Michigan;
  • Alegações de que há muito mais não cidadãos registrados para votar do que se sabia anteriormente.

Há, de fato, algumas revelações inéditas nas centenas de páginas de documentos desclassificados nesta quinta-feira. No entanto, segundo análise da CNN, uma parte significativa do material apenas reapresenta informações que já eram públicas e amplamente conhecidas pela comunidade de inteligência dos EUA.

Os documentos fazem parte de um esforço do governo Trump para sustentar a tese de que países estrangeiros estão interferindo de forma agressiva nas eleições americanas. Vale lembrar que Trump passou quase uma década rejeitando a conclusão unânime de muitas dessas mesmas agências de inteligência de que a Rússia interferiu na eleição presidencial de 2016.

CNN está analisando as centenas de documentos divulgados pelo governo Trump na noite de quinta-feira. A seguir, os principais pontos.

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