O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos e o Irã concordaram em manter as negociações, apesar da escalada das hostilidades nesta semana, mas declarou que o cessar-fogo firmado entre os dois países no mês passado chegou ao fim.
Os Estados Unidos também aumentaram na sexta-feira (10) a pressão para que o Irã interrompa os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, onde os confrontos recentes elevaram os preços do petróleo, um tema politicamente sensível para Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.
As declarações de Trump ocorreram em um dia relativamente tranquilo, ao fim de uma semana de conflito renovado, durante a qual três navios-tanque comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram alvo de ataques. O episódio levou os Estados Unidos a bombardearem alvos iranianos, e o Irã respondeu com ataques a instalações militares americanas em países do Golfo.
Trump diz que EUA estão prontos para “destruir todas as áreas do Irã”
Nenhum ataque foi registrado na sexta-feira, enquanto mediadores regionais tentavam preservar os esforços diplomáticos para encerrar de forma permanente a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
“A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as ‘conversas’. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro, sem qualquer margem para dúvidas, que o cessar-fogo ACABOU!”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
O Irã contestou a versão apresentada por Trump, afirmando que não solicitou conversas com os Estados Unidos, mas que concordou em receber um mediador do Catar, informou a televisão estatal. Segundo uma fonte com conhecimento do assunto ouvida pela Reuters, negociadores catarianos se reuniam nesta sexta-feira com autoridades iranianas para tentar reduzir as tensões e discutir a situação no Estreito de Ormuz.
Como mostrou a CNN, Trump também publicou que ordenou às Forças Armadas dos EUA que estejam preparadas para lançar ataques contra o Irã caso Teerã execute ou tente executar um atentado para assassinar o presidente americano.
“Mil mísseis estão armados, prontos para lançamento e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros prontos para serem disparados imediatamente, caso o governo iraniano cumpra sua ameaça de assassinar ou tentar assassinar o atual presidente dos Estados Unidos — neste caso, EU!”, escreveu.
“As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas, dispostas e aptas, por um período de um ano, sujeito a prorrogação, a devastar completamente todas as regiões do Irã. Louvado seja Alá!”, acrescentou.
Israel compartilhou com os Estados Unidos informações de inteligência indicando que o Irã havia elaborado recentemente um novo plano para assassinar Trump, segundo duas fontes a par do assunto.
Uma das fontes afirmou que o alerta foi recebido nesta semana. Outra fonte disse que os EUA vinham recebendo, nas últimas semanas, um fluxo constante de informações sobre possíveis planos para assassinar Trump, mas o alerta de Israel era novo e tratava de uma conspiração específica.
Outras autoridades americanas sugeriram que o relato israelense poderia ser uma tentativa de influenciar a tomada de decisão de Trump, enquanto ele avalia se deve intensificar a ação militar americana contra o Irã.
Até o momento, o Irã não comentou as declarações mais recentes do presidente americano.
Durante o funeral do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra em um ataque aéreo, uma multidão carregava faixas com a frase: “Vamos matar Trump”.
Estreito de Ormuz concentra esforços diplomáticos
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou a Omã neste sábado (11) para discutir medidas que garantam a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz, informou a agência semioficial Tasnim.
A visita de Araghchi faz “parte das consultas bilaterais em andamento entre Irã e Omã sobre os acontecimentos regionais, especialmente a questão do Estreito de Ormuz”, segundo um comunicado de Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Segundo Baghaei, os chanceleres “discutirão e trocarão opiniões sobre o estabelecimento de mecanismos adequados para garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz”.
A visita ocorre enquanto interlocutores tentam reativar o processo diplomático, que perdeu força após os recentes ataques entre os Estados Unidos e o Irã.
Altos funcionários do governo americano afirmaram que Washington espera que Teerã divulgue, nos próximos dias, uma declaração pública confirmando que o Estreito de Ormuz está aberto e que embarcações comerciais que tentarem cruzar a hidrovia não serão atacadas.
Segundo altos funcionários americanos, os Estados Unidos exigem que o Irã declare publicamente que interromperá os ataques a navios no estreito e que todas as rotas marítimas permanecerão abertas, sem cobrança de taxas, na hidrovia que, antes da guerra, era responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Durante o conflito, Teerã assumiu, em grande parte, o controle do estreito, criando um impasse em sua confrontação com as Forças Armadas dos Estados Unidos.
Pelo menos 17 pessoas morreram e 115 ficaram feridas nos ataques americanos realizados na quarta e na quinta-feira contra seis cidades iranianas, informou o chefe do centro de relações públicas e informação do Ministério da Saúde do Irã.
Mesmo assim, autoridades americanas afirmaram que as conversas entre os dois países foram produtivas nos últimos dias. Teerã declarou que qualquer violação dos compromissos assumidos por Washington será respondida com uma “ação recíproca”, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, citado pela imprensa estatal.
O acordo provisório firmado no mês passado tinha como objetivo abrir caminho para o fim do conflito, que agora entra em seu quinto mês e já matou milhares de pessoas, afetou o abastecimento mundial de energia e aumentou os temores de uma desaceleração da economia global.
A retomada dos confrontos no Golfo também elevou os custos para os consumidores americanos. Após semanas de queda, os preços do petróleo registraram sua maior alta semanal em oito semanas.
*com informações da Reuters e da CNN