O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e a ex-senadora e jornalista Ana Amélia Lemos debateram, na terça-feira (7), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se “Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos é oportunidade ou risco eleitoral”.
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou, na manhã de terça-feira (7), do último dia de audiências organizadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), órgão responsável pela investigação que resultou na sugestão de tarifas a produtos brasileiros. A presença do parlamentar gerou intenso debate político sobre o controle da narrativa em torno do chamado “tarifaço”.
Durante a audiência, Flávio teve cinco minutos para apresentar seu posicionamento. Em seu discurso, defendeu que o período eleitoral seria o pior momento possível para a imposição de tarifas.
Após o encontro, afirmou que “o único que quer tarifa é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)“, buscando atribuir ao adversário político a responsabilidade pelas tensões comerciais com os Estados Unidos.
Cardozo critica postura de Flávio Bolsonaro
José Eduardo Cardozo, comentarista da CNN, classificou a atuação de Flávio Bolsonaro (PL) como resultado de “desespero político”. Segundo ele, a família Bolsonaro teria contribuído para o agravamento da situação ao articular, em momento anterior, pressões do governo norte-americano sobre o Judiciário brasileiro.
“Há um tempo atrás, o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro (PL), seu articulador político, junto com Paulo Figueiredo, vão aos Estados Unidos pedir uma pressão do governo de Donald Trump sobre o Judiciário brasileiro, violentando a soberania do nosso país”, afirmou Cardozo.
O comentarista apontou ainda uma contradição entre o que Flávio teria escrito e o que declarou publicamente. “Ele escreve para suspender as tarifas, dizendo que não é bom agora na eleição. Ruim para quem? Para ele, pelo papelão que fez. Mas depois, quando vai falar, diz que não pediu a suspensão, que pediu o cancelamento“, afirmou o comentarista.
Para Cardozo, a justificativa de que “Lula quer a tarifa” seria inconsistente diante dos fatos. “Onde ele tira isso se o Lula foi exatamente quem se postou altivamente na defesa da soberania nacional contra os Estados Unidos?”, questionou.
Ana Amélia avalia que todos perdem com a politização do tema
Ana Amélia Lemos, ex-senadora e jornalista, disse que Flávio Bolsonaro (PL) “perdeu a oportunidade de mostrar, num ambiente diferente, formado por empresários brasileiros e norte-americanos, as condições negativas desse tarifaço”.
A ex-senadora destacou que o encontro contava com representantes de setores estratégicos, como agronegócio, manufatura, autopeças e calçados, além de empresas como Coca-Cola e Nestlé, todas interessadas em evitar a taxação.
Ana Amélia avaliou que a politização do tema prejudica tanto Flávio quanto Lula. “Isso evidentemente é uma faca de dois gumes, porque ela pode beneficiar e prejudicar da mesma forma. O maior prejudicado nisso vai ser o Brasil”, afirmou.
Segundo ela, o governo brasileiro enviou diplomatas e técnicos da Embaixada Brasileira em Washington para discutir a questão dentro das regras comerciais, enquanto o ato acabou se tornando “não uma discussão econômico-comercial, mas um ato de campanha política”. Para Ana Amélia, “os dois vão sair perdendo nessa jogada” e a disputa por votos em torno do tema seria um “jogo de perde-perde”.