O maior vetor de risco para o Brasil hoje é o pilar político-institucionanal, dado o impacto generalizado por Brasília de escândalos como o Caso Master.
A avaliação é do relatório Risco Brasil, lançado neste mês pela consultoria política Arko Advice, parceira de conteúdo do WW.
Desde a deflagração da Operação Compliance Zero, as investigações e suspeitas do Caso Master já bateram em nomes ligados ao centrão (Ciro Nogueira), à direita bolsonarista (Flávio Bolsonaro) e ao PT (Jaques Wagner).
Já no STF (Supremo Tribunal Federal), a condução da relatoria do caso por André Mendonça é alvo de questionamentos públicos do decano da Corte, Gilmar Mendes.
Somado a isso, vêm as relações entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional – este cada vez mais empoderado pelo controle de emendas orçamentárias.
“Acho que continuará a haver disputa de poder, conflito institucional, mistura de competências, ausência de limites, mas, sobretudo, uma ausência de vocação para o diálogo”, apontou Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, ao WW.
No campo legislativo, Murillo de Aragão aponta o foco que setores – em suma: a direita bolsonarista – têm dado ao Senado para conseguir maioria na Casa e avançar com impeachments de ministros do STF.
Alexandre de Moraes, relator da ação penal que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão, está envolto em suspeitas sobre o Caso Master devido sobretudo às relações contratuais de sua esposa, Viviane Barci, com o ex-banqueiro.
“A esperança de um diálogo é de, se o quadro fiscal ficar tão ruim, obrigar os agentes políticos a sentarem na mesa e buscar uma saída”, acrescentou Murillo de Aragão, que também é cientista político.