Um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular da China “lançou um míssil estratégico equipado com uma ogiva simulada em direção a uma área de alto-mar no Oceano Pacífico, onde o projétil atingiu com precisão as águas previamente designadas”, informou o porta-voz da Marinha chinesa, capitão sênior Wang Xuemeng.
“Esse lançamento fez parte da programação anual de treinamento militar da China”, afirmou Wang, acrescentando que os “países relevantes” foram informados previamente sobre o teste.
“A operação foi conduzida em conformidade com o direito internacional e as práticas internacionais, sem ter como alvo qualquer país ou objetivo específico”, disse o porta-voz.
A CNN solicitou um posicionamento do Ministério da Defesa da China sobre o teste.
Pequim não informou qual tipo de míssil foi utilizado.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que monitorou o lançamento de um míssil balístico intercontinental com capacidade para transportar armas nucleares, mas sem ogiva, e pediu que a China “participe de discussões significativas sobre controle de armamentos”.
Segundo o governo americano, a “rápida e pouco transparente expansão do arsenal nuclear chinês é motivo de grande preocupação para a região e para o mundo”.
A Marinha do Exército de Libertação Popular da China opera dois tipos de mísseis balísticos lançados por submarinos: o JL-2 e o JL-3. Segundo especialistas em mísseis, o último possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de águas próximas à costa chinesa, incluindo o Mar do Sul da China.
O principal submarino de mísseis balísticos da China é o Tipo 094, também conhecido como classe Jin, da qual o país opera seis unidades.
Pequim raramente divulga seus testes de mísseis, mas, de acordo com o Projeto de Defesa contra Mísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o JL-3 foi testado pela primeira vez em 2018 e novamente um ano depois.
“Indesejado e preocupante”
O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou que a China lançou o míssil na segunda-feira em direção às águas da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida em 1986 pelo Tratado de Rarotonga. A China assinou os protocolos II e III do acordo em 1987.
O Protocolo II determina que os signatários não devem usar ou ameaçar usar armas nucleares contra outros países ou seus territórios dentro da zona; o Protocolo III proíbe testes nucleares na região.
“Mais cedo hoje, a China nos informou sobre seus planos de lançar um míssil balístico de longo alcance no Pacífico Sul”, disse Peters.
“A Nova Zelândia considera isso um acontecimento indesejado e preocupante. Nós, assim como nossos vizinhos em outros países do Pacífico, não temos interesse que a China use o Pacífico Sul como local de testes para sua capacidade de mísseis”, afirmou Peters.
A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, classificou o teste realizado na segunda-feira como “desestabilizador para a região”.
O teste deve ser analisado “no contexto de uma rápida expansão militar da China, que carece da transparência e da garantia sobre suas intenções que a região espera”, disse Wong, acrescentando que caberia à China “explicar suas intenções”.
Um comunicado do governo japonês expressou “sérias preocupações em relação às atividades militares cada vez mais intensas da China” e pediu que Pequim reconsiderasse a realização de testes com mísseis balísticos.
O ministro neozelandês Winston Peters afirmou que o teste chinês trouxe de volta lembranças de 2024, quando o Exército de Libertação Popular realizou o lançamento de teste de um míssil balístico intercontinental na região.
“Nós, como região, não devemos simplesmente permitir que esses testes se tornem normalizados ou rotineiros”, disse Peters.
Mas os testes de mísseis são uma prática comum entre potências nucleares.
Por exemplo, a Marinha dos Estados Unidos realizou em setembro passado quatro testes de seu míssil balístico lançado por submarino Trident, em águas próximas à Flórida, de acordo com um comunicado oficial.
A Índia testou um míssil balístico lançado por submarino em dezembro, enquanto a Rússia realizou um teste com um SLBM (míssil balístico lançado por submarino) em outubro.
A China vem ampliando sua frota de submarinos movidos a energia nuclear como parte de um esforço geral para fortalecer suas forças nucleares.
A China realizou seu último teste de um ICBM (míssil balístico intercontinental) lançado no Pacífico em setembro de 2024, disparando um míssil DF-31B com capacidade nuclear a partir da ilha de Hainan, no Mar do Sul da China, em direção ao Pacífico aberto, próximo à Polinésia Francesa. Foi o primeiro teste chinês de um ICBM lançado em alto-mar em 44 anos.
Um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirma que a China normalmente realiza testes de mísseis dentro de seu próprio território, observando que, em dezembro de 2024, o país lançou vários ICBMs em rápida sequência a partir de uma base de treinamento no oeste chinês, “indicando a capacidade de lançar rapidamente múltiplos ICBMs baseados em silos”.
O relatório do Departamento de Defesa dos EUA de dezembro de 2025 sobre o poder militar da China afirma que o Exército de Libertação Popular considera esses testes “uma opção para operações de dissuasão nuclear de média a alta intensidade”.
Contribuíram para esta reportagem da CNN: Steven Jiang, Todd Symons, Hilary Whiteman e Yumi Asada.