Número de brasileiros que liga pobreza à preguiça vai a 40%, diz Datafolha

O número de brasileiros que acreditam que a pobreza está ligada à falta de vontade de trabalhar quase dobrou nos últimos quatro anos, chegando ao maior percentual histórico dos levantamentos realizados pelo Datafolha. A pesquisa, divulgada na sexta-feira (3), aponta que a parcela foi de 22%, em 2022, para 40%, em 2026.

No mesmo período, o número de pessoas que associam a pobreza à falta de oportunidades iguais para a população continua predominante, mas diminuiu consideravelmente, de 76% para 58%. Outros 3% dos entrevistados não souberam responder.

No total, a pesquisa entrevistou 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, nos dias 17 e 18 de junho, em cerca de 139 municípios. A margem de erro considerada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Segundo o Datafolha, a pergunta feita aos eleitores faz parte da matriz ideológica de pesquisa, que analisa temas como criminalidade, pena de morte, armas, punição de adolescentes que cometem atos infracionais, migração de pessoas pobres e homossexualidade.

Dentro da série histórica, o salto nos últimos de quatro anos foi uma das mudanças mais expressivas da matriz ideológica do Datafolha, com os seguinte registros:

  • 2013: 32%
  • 2014: 37%
  • 2017: 21%
  • 2022: 22%
  • 2026: 40% (quase o dobro em relação ao último levantamento)

As parcelas da população

A faixa etária se destaca dentro da pesquisa: o opinião dos idosos, de 60 anos ou mais, é considerada um empate técnico devido à margem de erro, onde 49% associam a pobreza à preguiça e 48% à falta de oportunidades. Entre os jovens, de 16 a 24 anos, 22% citam preguiça e 74% falta de oportunidades.

As diferenças também são significativas entre o eleitorado presidencial no primeiro turno estimulado. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 52% associam à preguiça e 44% à falta de oportunidades, já o percentual dos eleitores de Lula (PT) está em 28% e 70%, respectivamente.

A ocupação profissional dos entrevistados também foi analisada, apontando que, entre os que associam pobreza à preguiça, 56% são empresários e 28% funcionários públicos. O número entre empresários é o maior entre todas as ocupações.

Brasileiros com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos acreditam, majoritariamente, que a pobreza está ligada à falta de oportunidades, com porcentagem de 63%. Já entre a população que recebe de dois a cinco salários mínimos, 55% acreditam na falta de oportunidades e 43% no oposto.

Enquanto isso, 40% das pessoas que recebem até dois salários mínimos acreditam na alternativa da preguiça e 58% no contrário, mesmo percentual do total da pesquisa.

O Datafolha classifica o posicionamento ideológico dos entrevistados (entre esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita) com base em perguntas sobre valores sociais, políticos, culturais e econômicos, incluindo a pergunta sobre a associação da pobreza à preguiça, e cruzando os resultados de duas frentes (a “Escala de comportamento e pensamento econômico” e a “Escala de comportamento”) , atribuindo peso 1 a cada questão e somando pontos específicos.

Com a pontuação somada, o posicionamento ideológico de quem acredita que “boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar” é, principalmente, da direita.

*Sob supervisão de AR.

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