Waack: Flávio pede a Trump que tarifas não o derrotem na urna

Quando impôs tarifas exorbitantes ao Brasil no ano passado, o presidente americano, Donald Trump, alegou razões sobretudo políticas. Além, claro, de adorar tarifas como instrumento para qualquer coisa.

Trump queria, com sanções contra o ministro Alexandre de Moraes no Supremo e tarifas comerciais, ajudar a sorte do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como se sabe, não funcionou. O republicano acabou abandonando Bolsonaro, mas não as tarifas – que continua tentando impor dando a volta numa decisão contrária a isso pela própria Corte Suprema americana.

De quebra, ajudou a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – com quem passou a se entender pessoalmente. Ao pedir hoje por carta que o governo americano desista de impor as tais tarifas ao Brasil, na prática, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirma que Trump é burro.

E, por tabela, o próprio irmão Eduardo Bolsonaro, que aplaudiu as tarifas em diversas ocasiões. Pois, escreveu Flávio em carta ao governo de Washington, desde que as tarifas foram impostas, Lula ficou mais popular. E elas podem até ajuda-lo na campanha eleitoral, prosseguiu Flávio.

Sabe-se lá quem entre os acima citados tem menos inteligência política, mas está claro que os irmãos Bolsonaro não entenderam a natureza da aplicação de tarifas por parte do governo americano. Trump parece pouco interessado em ajudar a este ou aquele político.

Ele acha que tarifas servem sobretudo aos próprios interesses e trata aliados ou amigos até pior do que adversários.

Era óbvio que o apego dos Bolsonaros por Trump iria apenas criar um buraco do ponto de vista eleitoral. Mas continuam cavando.

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