A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República), nesta terça-feira (30), com uma notícia-crime contra o jornalista Paulo Figueiredo após ele dizer que mulheres “votam mal”.
Segundo a notícia-crime, as falas podem configurar violência política de gênero e discurso misógino contra as mulheres. Além disso, a peça sustenta que sustenta que as declarações extrapolam os limites da crítica política ao reforçar estereótipos que desqualificam a participação feminina em espaços de poder.
“[Paulo Figueiredo] Atribuiu às mulheres casadas a tendência de seguir a orientação política dos maridos e utilizou expressões ofensivas e sexualizadas dirigidas a mulheres que participam da vida pública”, argumenta a senadora.
No documento, a parlamentar pede que a PGR avalia a preservação de “provas digitais” relacionadas ao caso, como o vídeo com as falas de Figueiredo, publicações nas redes sociais e registros de alcance das postagens.
À PGR, Soraya ainda solicita que sejam avaliadas medidas cautelares para impedir que novas publicações sobre o assunto sejam feitas até que o caso seja investigado.
Entenda
Na última quinta-feira (25), Paulo Figueredo criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e disse que mulheres “votam mal”. As falas foram feitas durante episódio do seu podcast, o “Paulo Figueredo Show”.
“Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras, as casadas costumam acompanhar o marido”, disse em determinado momento.
Dos Estados Unidos, Paulo teceu críticas sobre a atuação de Michelle ao comentar o atrito público entre ela e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na semana passada, a ex-primeira-dama publicou um vídeo afirmando ter levado uma “punhalada” no ano passado e expôs embates com o filho mais velho de Jair Bolsonaro.
“O feminismo é um movimento de matriz marxista pós-moderna que carrega consigo ideias como cotas identitárias. […] a ideia de ter cota pra raça, idade, é absolutamente incompatível com o movimento da direita. […] Quando vemos uma presidente do PL transformar isso em uma discussão identitária, ferrou. É justamente uma ideologia marxista”, disse Paulo Figueredo.
Segundo ele, seria obrigação moral e institucional da ex-primeira-dama apoiar Flávio. “Quando você olha pra Michelle, a razão pro tal sucesso que ela tem, advém de um fato curioso que é justamente o fato da Michelle nunca ter aberto a boca para falar sobre nada. Ela então segue um papel. Com isso é construido uma imagem de Amélia, mulher doce, recatada, religiosa. Uma imagem muito bonita. Nas raras ocasiões em que ela resolve falar, a impressão fica prejudicada”, dissertou.