Doença autoimune: proteção solar é essencial, dizem especialistas e Kalil

A proteção solar é um cuidado fundamental para pacientes com doenças autoimunes, especialmente aquelas classificadas como fotossensíveis. Segundo dermatologista Cristina Abdalla, em entrevista para o Sinais Vitais com Dr. Kalil, o uso adequado de protetores solares de amplo espectro, aliado à proteção física — como chapéus e roupas —, deve fazer parte do tratamento desses pacientes.

De acordo com a especialista, o conjunto de medidas que inclui fotoproteção e tratamento medicamentoso é determinante para a melhora clínica do paciente. “Todo esse cuidado junto com o tratamento medicamentoso, esse conjunto de medidas vai fazer com que o paciente melhore”, afirmou.

Faixa etária mais afetada

Em relação à faixa etária mais acometida pelas doenças autoimunes, a reumatologista Ana Luisa Garcia Calich explicou que, de maneira geral, a incidência segue uma curva de distribuição que tende a se concentrar entre os 30 e 40 anos.

No entanto, ela ressaltou que qualquer pessoa, de crianças a idosos, pode ser afetada. “Medicina não é tão matemática, mas geralmente é mais na faixa entre 30 e 40 anos”, destacou.

Arterite de célula gigante: uma emergência reumatológica

A especialista chamou atenção para uma doença autoimune que ocorre exclusivamente após os 50 anos de idade: a arterite de células gigantes. Trata-se de uma vasculite, ou seja, uma inflamação autoimune dos vasos sanguíneos, que acomete de forma característica a artéria temporal. Os sintomas incluem dor de cabeça intensa, febre, perda de peso, dificuldade e fadiga para mastigar, além de dor no couro cabeludo.

A condição é considerada uma das poucas emergências em reumatologia, pois representa risco real de perda de visão. Segundo Ana Luisa, o nervo óptico pode sofrer isquemia — ou seja, deixar de receber irrigação sanguínea adequada —, resultando em cegueira. “Se acontece, você só tem 24 horas para conseguir reverter”, alertou. Ela acrescentou que, quando a perda de visão ocorre em um olho, o risco de o outro olho ser afetado nos dias ou semanas seguintes chega a 50%.

Por isso, qualquer alteração visual em idosos, mesmo que transitória — como a chamada amaurose fugaz, em que a visão se perde e retorna —, deve ser tratada como emergência médica. O tratamento diminui muito o risco de perda de visão, completou também a reumatologista.

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