Já se passaram mais de 30 horas desde que a Venezuela foi atingida por dois terremotos, sendo um deles o mais forte em mais de um século.
Historicamente, as primeiras 48 a 72 horas após um terremoto são amplamente consideradas a janela “de ouro” para resgatar pessoas soterradas vivas sob os escombros; após esse período, as chances de sobrevivência sem água diminuem rapidamente.
Estudos indicam que a maioria dos resgates de pessoas com vida ocorre nos primeiros cinco ou seis dias. Algumas equipes de resgate seguem a “regra dos quatro”, que pressupõe que pessoas presas podem sobreviver quatro minutos sem ar, quatro dias sem água e quatro semanas sem comida.
No entanto, pesquisas sugerem que “prazos universais e rígidos” podem ser imprecisos, uma vez que a sobrevivência pode se prolongar em condições raras.
Após o devastador terremoto de magnitude 7,8 que atingiu a Turquia e a Síria em 2023, pessoas continuaram sendo resgatadas vivas dos escombros dez dias depois do tremor, desafiando as expectativas de sobrevivência.
Especialistas em emergências e desastres afirmam que vários fatores podem aumentar as chances de sobrevivência após a janela de tempo “de ouro”, incluindo o acesso das pessoas soterradas a oxigênio, água e alimentos.
O estado de saúde da pessoa também é um fator crucial, incluindo se ela sofreu apenas ferimentos leves ou lesões graves em órgãos internos.
Além disso, pessoas com condições médicas pré-existentes — que podem ficar impossibilitadas de acessar seus medicamentos ou cujos remédios causem efeitos colaterais como desidratação — apresentam menor probabilidade de sobrevivência, segundo especialistas médicos.
Buscas continuam
Os esforços de busca e resgate tornaram-se uma operação ininterrupta enquanto equipes tentam alcançar as pessoas presas sob os escombros, disse uma diretora de ajuda humanitária à CNN.
“Há muitas pessoas cujo paradeiro é desconhecido, incluindo alguns de nossos voluntários, bem como familiares e amigos; os esforços de busca e resgate são intensos. É um trabalho constante, 24 horas por dia, e simplesmente não temos tempo ou pessoal suficiente para alcançar todas as pessoas que queremos e precisamos ajudar”, afirmou Loyce Peace, diretora regional da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
Peace ressaltou que desastres dessa natureza deixam um impacto duradouro.
“Há o impacto inicial, é claro, mas depois as manchetes desaparecem enquanto os problemas permanecem; muitas vezes, precisamos permanecer nesses países e comunidades por um longo período”, disse Peace a Elex Michaelson, da CNN.