Inclusão digital vira oportunidades em comunidades rurais amazônicas

A conectividade e a formação digital em comunidades rurais são recursos eficientes contra desigualdades e falta de escolaridade entre a população. Em iniciativa promovida pelo Grupo +Unidos, mais de 2.700 pessoas usufruíram de formações sobre informática básica e avançada, agricultura familiar e gestão de negócios para atingir qualificação e aumentar chances de acesso ao ensino superior e empregos em cargos públicos.

Em Juriti, no oeste do Pará, a Rede Amazônia +Conectada ofereceu cursos aos moradores para suprir a lacuna de conectividade das comunidades do município. A inclusão digital nos territórios onde a qualificação é de difícil acesso aumenta o acesso da população a empregos formais e aprovações em concursos públicos para atuar em órgãos e instituições locais.

Entre os mais jovens, o acesso a equipamentos como notebooks e roteadores permite acompanhar cursos online e investir em empreendimentos nas redes sociais. Morador da comunidade Café Torrado, Josiel Melo da Silva, 20, participou do programa em 2023 e, por meio dos conhecimentos adquiridos em cursos à distância, conseguiu ser aprovado para cursar o ensino superior.

Adriane Barbosa dos Anjos, 37, foi outra impactada pelas ações do projeto. Moradora da comunidade São Pedro, ela havia interrompido os estudos na adolescência e, por meio das formações da iniciativa, se inscreveu em concurso público e foi aprovada para atuar como secretária escolar em seu território.

“Conexão, sozinha, não resolve tudo. Mas, quando ela vem com formação e acompanhamento, muda o lugar que uma pessoa ocupa no mundo”, defende Daniel Grynberg, diretor do Grupo +Unidos. “Em Juruti, isso aparece de forma muito concreta. É esse tipo de impacto que o projeto busca construir nas comunidades.”

Metodologias de letramento digital democratizam acesso à educação

A realidade das novas tecnologias digitais criou barreiras de desigualdade ainda maiores entre grupos da sociedade. De acordo com levantamento da TIC Domicílios, em 2025, quase um em cada cinco domicílios rurais brasileiros ainda não tinha sequer acesso à internet.

A exclusão digital torna-se cada vez mais relevante diante do uso massivo de recursos como a inteligência artificial. A dificuldade de identificação de conteúdos criados por humanos e por máquinas é um dos principais tópicos. No Brasil, apesar de 58,4% dos usuários de IA relatarem uso frequente, apenas 54,2% são capazes de distinguir um vídeo gerado pela tecnologia de um vídeo real, de acordo com estudo conduzido pelo projeto Brief.

Com a finalidade de reverter este cenário, iniciativas do terceiro setor procuram desenvolver metodologias pedagógicas de letramento digital. A SoulCode, organização voltada para a educação digital, desenvolveu o programa Letramento Digital e Inteligência Artificial via WhatsApp, criado para tornar a aprendizagem mais inclusiva.

A proposta é combinar personalização de conteúdo, gamificação das atividades, acompanhamento contínuo e uso de ferramentas digitais para criar jornadas de aprendizado adaptadas para cada grupo. O programa é voltado para jovens, profissionais em transição de carreira, comunidades vulnerabilizadas e pessoas idosas.

“Acreditamos que a educação precisa acontecer onde as pessoas já estão. Ao combinar inteligência artificial com jornadas de aprendizagem dentro do WhatsApp, conseguimos personalizar a experiência e aumentar o engajamento”, afirma Fabricio Cardoso, cofundador e diretor da SoulCode. “Nossa missão é transformar alcance massivo em infraestrutura educacional.”

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