Exclusivo: Brookfield coloca à venda dois ativos de transmissão da Quantum

A gestora canadense Brookfield colocou à venda dois ativos de transmissão da Quantum Energia, empresa criada para administrar os investimentos de transmissão de energia, em uma operação que pode movimentar até R$ 5 bilhões, apurou a CNN com fontes.

O processo envolve os projetos de transmissão Sertaneja, na Bahia e Piauí, e Chimarrão, no Rio Grande do Sul. Juntos, os empreendimentos possuem Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 512 milhões. O projeto Sertaneja responde por R$ 214 milhões, enquanto Chimarrão soma R$ 298 milhões de receita. Os empreendimentos reúnem mais de 1.560 quilômetros de linhas de transmissão e 11 subestações.

A expectativa do mercado é que os ativos alcancem um enterprise value de até R$ 5 bilhões, considerando múltiplos praticados recentemente no setor, entre 8,5 e 9 vezes a RAP. Segundo fontes com conhecimento das negociações, o Bradesco foi contratado para assessorar a venda. Procurado, o banco não quis comentar.

O empreendimento Pampa deve ficar de fora da transação neste momento devido a questões societárias, já que a CYMI detém 50% de participação no ativo.

Entre os potenciais interessados, agentes do mercado apontam a Verene, controlada pela gestora canadense CDPQ (Caisse de dépôt et placement du Québec), como uma das candidatas prováveis à aquisição.

A companhia já disse que olha ativos no mercado tem reforçado sua presença no segmento brasileiro de transmissão em 2025, ao comprar os ativos da Equatorial Energia em uma transação avaliada em R$ 9,4 bilhões.

Os ativos da Quantum já despertaram forte interesse de investidores em negociações anteriores. Quando a companhia decidiu vender a concessão Mantiqueira, considerada a maior linha de transmissão individual do país, com mais de 1,2 mil quilômetros de extensão, a disputa atraiu grupos como a chinesa State Grid, o grupo colombiano GEB e um consórcio formado por Taesa e Cemig.

Na ocasião, os chineses sairam vencedores e fecharam a aquisição por um enterprise value de aproximadamente R$ 7 bilhões, consolidando uma das maiores operações já realizadas no mercado secundário de transmissão brasileiro.

A decisão de venda do ativo é um movimento comum da Brookfield por conta do ciclo de private equity. A combinação de receitas previsíveis, contratos de longo prazo e baixa exposição ao risco de demanda tem mantido o interesse de investidores institucionais e fundos de infraestrutura pelo segmento, impulsionando uma série de transações bilionárias nos últimos anos.

Recentemente, a Taesa anunciou a compra de cinco empresas de transmissão da Energisa. A operação foi avaliada em R$ 2,3 bilhões em enterprise value, além da assunção de uma dívida líquida de R$ 748 milhões vinculada aos ativos adquiridos.

Em outubro de 2025, a EDP vendeu uma linha de transmissão em Santa Catarina para a Actis por R$ 510 milhões, depois de já ter vendido outras linhas para a gestora há um ano por R$ 2,3 bilhões.

Procurada, a Brookfield não quis comentar.

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