O Brasil caiu sete colocações no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral e divulgado na última quinta-feira (18). Com isso, o país se encontra em 65º lugar entre um total de 70 economias avaliadas, o pior patamar em anos recentes.
A nova posição foi puxada principalmente, pelo fator de baixa produtividade, um desafio crônico da economia brasileira. Um levantamento do FGV Ibre aponta queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre do ano, reforçando uma tendência que já preocupa há décadas.
Além disso, indicadores baseados em horas habitualmente trabalhadas e por população ocupada registraram avanços modestos de 0,5% e 0,4%, respectivamente.
À CNN Brasil neste domingo (21), Gilvan Bueno, colunista do CNN Money, cita que essa baixa produtividade está relacionada à falta de mão de obra qualificada. “Hoje falamos muito sobre Inteligência Artificial, por exemplo, mas temos uma defasagem de engenheiros no país, o que dificulta o crescimento deste segmento.”
Nesse contexto, Bueno afirma que o país investe muito pouco em educação se comparado a outras nações do ranking. Segundo o colunista, o Brasil aplica apenas 5% do seu PIB (Produto Interno Bruto) neste setor, enquanto a Suíça – posicionada em 3º lugar -, investe bem acima desse número.
“Isso impõe desafios a empresas posicionadas no país de criar produções e achar mão de obra qualificada. A indústria, por exemplo, tem caído nos últimos 25 anos por conta disso”, afirma Bueno.
Falando em PIB, o especialista cita também que ganhos de produtividade no país são o que têm sustentado o índice, o que explica também um crescimento instável nesse sentido. “O Brasil tem um PIB que cresce, mas não por uma força produtiva”, afirmou.
Segundo Bueno, a expansão da economia depende, em grande parte, das commodities e de estímulos pontuais, como programas de transferência de renda, liberação do FGTS e incentivos fiscais.
Em sua avaliação, a estrutura da economia brasileira ajuda a explicar esse cenário. Atualmente, cerca de 70% do PIB é composto pelo setor de serviços, entre 20% e 25% pela agropecuária e apenas 5% pela indústria. Além disso, boa parte dos empregos está concentrada em atividades de menor remuneração.
Mesmo após corte, Selic é obstáculo
Já segundo Carla Beni, do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo) e professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas), um dos pontos de entrave para a competitividade brasileira diante de outros países é o alto custo de capital puxado, principalmente, pela taxa básica de juros do país, a Selic.
“A taxa de juros dificulta investimentos e inclusive deixou o Brasil num patamar mais baixo em relação até às próprias empresas, porque faz com que elas invistam menos”, explicou durante entrevista à CNN Brasil no domingo.
Beni se baseia na atual Selic que, na quarta-feira (17), enfrentou mais um corte de 0,25%. Apesar da queda para 14,25% ante os 15% vistos no final do ano passado até março deste ano, a professora e economista cita que o patamar ainda é bastante preocupante, pois também está relacionado ao alto endividamento e inadimplência das famílias.
“Temos uma taxa Selic com desde 2022 e uma taxa real de mais de 9%. Este é o ponto central que inviabiliza as empresas e as famílias, por isso que a gente está com esse grau de inadimplência no país todo”, afirmou.
Mesmo com o corte visto na última semana, o Brasil se posiciona como o país com maior taxa de juros real – isto é, a taxa básica descontada a inflação.
Além disso, novos dados da CNC de maio de 2026 evidenciam que 81,6% das famílias brasileiras carregam algum tipo de dívida. A inadimplência, por sua vez, atinge 50,5% da população adulta do país.