O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem esse nome por uma razão: o quadro envolve diferentes níveis, sintomas e comorbidades, tornando cada paciente único. “A gente brinca que quem conheceu um autista, conheceu um autismo”, explica a psiquiatra Daniela Bordini, coordenadora do Ambulatório de Cognição Social da Unifesp.
No programa “Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista”, o cardiologista recebeu Bordini e a psicóloga Tatiana Mecca, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que falaram sobre diversos aspectos da TEA. As especialistas explicaram o que é o autismo, os diferentes níveis do quadro, como identificar os sinais de alerta na infância e a importância do diagnóstico precoce para ampliar oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida.
Diagnóstico pede atenção
Um dos desafios do tema é o diagnóstico, já que não existe um exame específico para identificar o autismo. Mecca reforça como o diagnóstico aprofundado e feito por uma equipe multidisciplinar é o melhor caminho. Ela explica que é feito um exame clínico, baseado nos sintomas e trajetória do paciente.
Nesses casos, ter uma equipe diversa ajuda. “Então, quando temos, por exemplo, dificuldades muito específicas de comunicação e de linguagem, o profissional da fonoaudiologia muitas vezes vai ser importante durante a investigação”, descreve.
Mecca ainda reforça a importância dos pais e professores na identificação do autismo. Geralmente, são os pais e familiares que notam os primeiros sinais logo na primeira infância. Esses sintomas podem ser inespecíficos, como prejuízos no desenvolvimento motor, alterações de sono e até problemas nos aspectos não verbais, como dificuldade em contato visual com os cuidadores e poucas respostas ao ambiente, quando alguém brinca ou chama o bebê, ele pouco responde.
Existem diferentes níveis de autismo, que variam conforme a dependência do paciente. “O nível 3, por exemplo, tem indivíduos com uma alta dependência, na maior parte do tempo eles precisam de suporte”, considera a psiquiatra. Por outro lado, alguns pacientes precisam de um apoio mais discreto, como psicoterapia e ajustes na escola e ambiente.
Ainda neste programa, foram destacados os desafios enfrentados por crianças, adolescentes e adultos autistas em áreas como escola, trabalho, relacionamentos e convivência social. As especialistas analisaram o aumento dos diagnósticos na vida adulta, defenderam maior capacitação dos profissionais de saúde e ressaltaram o papel da família, da escola e da sociedade na promoção da inclusão, da autonomia e da independência das pessoas com TEA.
O “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” será exibido neste sábado, 20 de junho, às 19h30, na CNN Brasil.