Um total de 25 navios comerciais atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira (18), o maior número desde abril, segundo a empresa de inteligência marítima AXSMarine.
O aumento acentuado no tráfego marítimo ocorre após os Estados Unidos e o Irã terem assinado, na quarta-feira (17), um acordo que prometia reabrir “imediatamente” a importante via navegável.
“Ontem, observamos 25 travessias confirmadas de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz”, afirmou a AXSMarine em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (19).
“Esse é o maior número em um único dia desde 18 de abril, quando houve uma breve reabertura após o anúncio do Irã de que o estreito estava aberto ao tráfego comercial. Essa reabertura, porém, foi de curta duração, tornando o número de 18 de junho o maior valor diário desde aquele aumento temporário.”
As 25 travessias confirmadas na quinta-feira representam quase cinco vezes o tráfego diário médio durante os primeiros 10 dias de junho.
No entanto, ainda estão muito abaixo dos níveis pré-guerra, quando cerca de 110 embarcações cruzavam o estreito diariamente, em média. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo estreito.
O fechamento efetivo levou a uma disparada nos preços do petróleo.
O número real pode ser ainda maior — os dados da AXSMarine são obtidos dos transponders AIS (Sistema de Identificação Automática) dos navios.
No entanto, muitas embarcações têm desligado o sistema obrigatório de rastreamento marítimo e prevenção de colisões para tentar atravessar o estreito sem serem rastreadas.
“A retomada [no tráfego marítimo] ocorreu em meio ao maior evento de interrupção do sinal AIS que observamos no Golfo Pérsico desde o início do conflito, com mais de 200 embarcações comerciais afetadas simultaneamente por falsificação de sinal ou comportamento anormal do AIS”, acrescentou a AXSMarine.
Administração da hidrovia
A PGSA (Autoridade de Gestão da Via Marítima do Golfo Pérsico do Irã) administrará o tráfego pelo Estreito de Ormuz após o acordo entre Washington e Teerã, anunciou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do país na quinta-feira (18).
Conforme comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana, as embarcações não pagarão taxas de solicitação por 60 dias, já que o governo arcará com esses custos.
O conselho afirmou que a PGSA foi instruída a analisar rapidamente e responder aos pedidos de passagem pelo estreito.
O Irã também está trabalhando na remoção de minas da via marítima, conforme previsto no acordo, disse o Conselho.
“Dadas as condições especiais e a presença de certos riscos de segurança ao longo da rota de trânsito, e para garantir a passagem segura e evitar incidentes marítimos, as embarcações devem transitar de acordo com as rotas e horários comunicados a elas, para que a capacidade de tráfego possa aumentar gradualmente”, dizia o comunicado.
A PGSA fornecerá mais informações sobre o funcionamento da operação, acrescentou o Conselho.