O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime iraniano chegaram a um pré-acordo para paralisar as hostilidades, restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e conter a possibilidade de expansionismo armamentista do Irã.
Além disso, o memorando de entendimento visa restabelecer as condições para o afluxo de dinheiro e a reconstrução do Irã.
Isso foi negociado depois de quase quatro meses de uma guerra que extirpou a liderança principal do Irã e diminuiu muito a capacidade de mísseis balísticos e de expansão de poder do Irã.
Mas, no final, o regime permaneceu. Ele não cedeu. Pelo contrário: o regime se transformou numa coleção de lideranças: tanto as lideranças políticas, que (finalmente) assinaram o acordo; como as lideranças paramilitares, ligadas à Guarda Revolucionária, que é o corpo armado do regime dos aiatolás.
Ao se questionar se o entendimento será suficiente para estabelecer a normalidade no Oriente Médio, se tem que pensar na região, porque o Irã fez questão de que Israel parasse de atacar o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen, ao mesmo tempo em que os países árabes do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes, Catar e Kuwait), que foram atacados pelo Irã, ficaram em uma situação de berlinda.
Os países árabes não sabem exatamente o que fazer, porque a relação com o Irã é permanente: o país está ali e sempre será um vizinho importante. Mas, ao mesmo tempo, não se entendeu direito se estão em paz ou não.
Esse entendimento foi respaldado pelos países do G7, que se encontraram nesta semana na França. Trump praticamente impôs uma declaração de apoio das principais economias capitalistas e ocidentais do mundo a esse entendimento.
É um passo adiante no sentido de restabelecer a normalidade no Oriente Médio e no mundo.
* Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de Projetos Especiais e de Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW