Com a proximidade da Fenatran, principal feira de transporte e logística da América Latina, e uma nova edição do Move Brasil, programa de crédito do governo federal voltado à renovação de frota lançado em maio, o mercado nacional de caminhões projeta um segundo semestre mais positivo do que foi o início deste ano.
Apesar do crescimento geral do setor automotivo, que registrou mais de 479,6 mil veículos emplacados em abril, o segmento de caminhões apresentou baixa no período.
Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostraram que foram emplacadas 8,6 mil unidades, representando uma queda de 3,24% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Em maio, o governo federal anunciou a segunda edição do Move Brasil, disponibilizando R$ 21,2 bilhões em linhas de crédito para aquisição de caminhões e ônibus. Desse valor, R$ 2 bilhões serão destinados especificamente aos motoristas autônomos.
Para o CEO da ABC Cargas, Danilo Guedes, empresa especializada no transporte de caminhões zero quilômetro, a iniciativa tem potencial para destravar investimentos que estavam represados desde os últimos anos.
“Existe uma demanda reprimida muito significativa no mercado. Muitas empresas adiaram a renovação de suas frotas em razão do custo elevado do crédito e da incerteza econômica. Com uma linha de financiamento mais robusta e condições mais acessíveis, a tendência é que parte desses investimentos volte a acontecer ao longo do segundo semestre”, avaliou.
Além da linha de crédito, a Fenatran, principal feira de transporte e logística da América Latina, é tradicionalmente responsável por movimentar negócios, lançamentos e investimentos em renovação de frota diante do ambiente propício para os frequentadores do evento.
“A combinação entre crédito disponível, necessidade de renovação dos veículos e o ambiente de negócios gerado pela Fenatran cria uma perspectiva positiva para o segundo semestre”, disse o executivo.
Ainda segundo ele, o mercado seguirá atento aos indicadores econômicos, mas há motivos concretos para acreditar em uma recuperação gradual da atividade do setor.