Acelen faz parceria com setor aéreo em projeto bilionário de SAF de macaúba

A Acelen Renováveis e a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) assinaram uma parceria para ampliar a cooperação em iniciativas voltadas ao desenvolvimento do mercado global de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) a partir da macaúba.

Um dos principais objetivos de longo prazo é o avanço da agenda de descarbonização do transporte aéreo.

“Descarbonizar a aviação exigirá inovação, diversificação de matérias-primas e colaboração em toda a cadeia de valor”, afirmou, em nota enviada nesta quarta-feira (10), Patrícia Grossi, responsável pelas áreas de mercado de carbono e assuntos regulatórios da Acelen Renováveis.

De acordo com estimativas da IATA, o SAF poderá responder por cerca de 65% das reduções de emissões necessárias para que o setor aéreo alcance a meta de neutralidade climática até 2050. Para isso, a produção global precisaria atingir aproximadamente 500 milhões de toneladas anuais até meados do século.

Segundo as entidades, a parceria prevê colaboração em temas regulatórios, participação conjunta em fóruns técnicos e grupos de trabalho, além da troca de conhecimento sobre novas rotas tecnológicas e matérias-primas para produção de SAF.

O acordo foi formalizado por meio de um memorando de entendimento assinado durante a Assembleia Geral Anual da IATA e a Cúpula Mundial de Transporte Aéreo (WATS), realizada no Rio de Janeiro. A parceria ocorre em um momento de crescente mobilização do setor aéreo por suprimento de matérias-primas para produção de SAF.

A iniciativa também amplia a visibilidade internacional da macaúba, oleaginosa que integra a estratégia da Acelen Renováveis para produção de combustíveis sustentáveis, destacou o comunicado da companhia.

A empresa, controlada pela Mubadala Capital, aposta na cultura como matéria-prima para abastecer uma futura cadeia de produção de SAF em larga escala no Brasil. Na Bahia, a Acelen Renováveis desenvolve um projeto estimado em mais de US$ 3 bilhões para produção de combustíveis renováveis.

A primeira unidade integrada da companhia prevê capacidade anual de 1 bilhão de litros de SAF e óleo vegetal hidrotratado (HVO), além da implantação de uma cadeia agrícola baseada no cultivo de macaúba em áreas degradadas.

Com a parceria, a empresa disse querer ampliar o diálogo com companhias aéreas, reguladores e formuladores de políticas públicas, em meio à corrida global por novas fontes de matérias-primas sustentáveis para atender às metas de descarbonização do transporte aéreo.

Para a vice-presidente sênior de sustentabilidade e economista-chefe da IATA, Marie Owens Thomsen, a cooperação entre segmentos da indústria será fundamental “para acelerar a oferta e a adoção de combustíveis sustentáveis pela aviação comercial”.

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