O PSD (Partido Social Democrata) protocolou no MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) na segunda-feira (09) uma representação por improbidade administrativa contra o ex-secretário da Polícia Civil do estado e pré-candidato a deputado federal Felipe Curi (PP), o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o delegado Pedro Cassundé.
O pedido se deu pela causa da condução da prisão e investigação do vereador Salvino Oliveira (PSD), em março deste ano, por supostamente negociar diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, envolvido com o CV (Comando Vermelho), uma autorização para fazer campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, que está sob domínio da facção carioca.
O partido do pré-candidato ao Palácio das Laranjeiras, Eduardo Paes, alegou que houve múltiplos abusos e ilícitos na deflagração da prisão do vereador e o uso incorreto do aparato policial para perseguição política; a divulgação de dados sigilosos em redes sociais e a exploração da imagem do investigado como base para um discurso de ataque político.
O partido também questiona a condução dos interrogatórios feitos pelo Delegado Pedro Cassundé com familiares, que os qualificou como “voluntários”, mas que foram submetidos, sem a presença de advogado, a responder perguntas sobre Salvino Oliveira.
A sigla argumenta que a ordem da prisão deflagrada não foi organizada sob o controle do MP (Ministério Público) fluminense em parceria com o Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado) como costuma ocorrer em operações que envolvem o crime organizado.
Segundo eles, a operação teria sido organizada por um setor da Polícia Civil, comandada pelo então secretário Felipe Curi e o delegado Pedro Cassundé, integrantes do Departamento Geral de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro.
O envolvimento do vereador com o CV alegado pela corporação, segundo a defesa do PSD, ocorreu após um dialogo supostamente travado entre terceiros, em 2025 — um ano antes da operação —, onde um dos interlocutores questiona a procedência da autorização de Salvino fazer campanha dentro da comunidade.
Uma das principais reclamações do partido é a construção política por trás da prisão. Eles defendem que o ex-governador Cláudio Castro teria mandado a detenção pelo fato de o vereador ser aliado político do então prefeito Eduardo Paes.
O feito, segundo a peça, se caracterizaria como “mais uma evidência de abuso de poder, de perseguição, de desrespeito deliberado e consciente ao devido processo legal, de perseguição política”.
Entenda o caso
Em março deste ano, o vereador foi preso durante uma operação da PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) contra o CV, na capital carioca. Além dele, outros cinco policiais militares foram detidos.
Conforme as investigações, o político teria negociado a autorização articulando benefícios ao CV como forma de compensação através de ações voltadas à população local. A definição da parte dos beneficiários teriam sido determinadas por integrantes do crime organizado, sem processo público aparente.
A investigação teria apurado a participação direta de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, um dos principais líderes do CV. Segundo a apuração, Márcia Gama, esposa do líder e mãe do artista Oruam, atuava na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional.
Entre as ações estão serviços, imóveis e outros negócios usadas para geração de recursos e expansão do poder do grupo.
Salvino Oliveira tem 28 anos e nasceu na Cidade de Deus, zona oeste do Rio. Formado em gestão pública, tornou-se o secretário municipal mais jovem da cidade, aos 22 anos, ao assumir a Secretaria da Juventude na gestão do prefeito Eduardo Paes.
Nas eleições municipais seguintes, em 2024, foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos.