O início da designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos é marcado por profundas incertezas no Brasil. Segundo o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia, autoridades brasileiras ainda não sabem ao certo quais serão os impactos práticos da medida no país.estados
A classificação foi formalmente publicada no Diário Oficial dos Estados Unidos nesta sexta-feira (5) e entrou em vigor na data da divulgação. O cenário é acompanhado de perto por investigadores da PF (Polícia Federal) e do Ministério da Justiça, que divergem sobre as consequências da nova designação.
Paraguai expulsou 141 faccionados em cinco anos
Em paralelo, um levantamento revelou que o Paraguai expulsou 141 integrantes das duas facções criminosas de volta ao Brasil nos últimos cinco anos. Entre 2018 e 2022, o departamento paraguaio extraditou 11 indivíduos ligados ao PCC, dois vinculados ao Comando Vermelho e 103 faccionados sem filiação especificada. No ano seguinte, o número subiu para 25 expulsões.
As expulsões ocorrem no âmbito de um acordo de cooperação técnica entre Brasil e Paraguai — e também com a Bolívia —, pelo qual qualquer integrante de facção criminosa encontrado nesses países é sumariamente devolvido ao Brasil. Elijonas Maia destacou que os dados demonstram que o acordo saiu do papel e está sendo colocado em prática.
Paraguai como rota de fuga e ponto logístico
De acordo com investigadores da Polícia Federal, o Paraguai se tornou o principal país, após o Brasil, onde o PCC estruturou uma base de apoio. O país vizinho funciona como rota de fuga para membros da facção e como ponto logístico para o tráfico internacional de drogas e de armas.
“O Paraguai é o principal país após o Brasil em que o PCC criou um braço, uma estrutura para apoiar, e até como uma rota de fuga saindo do Brasil para o nosso país vizinho”, afirmou Elijonas Maia.
A Polícia Federal monitora ativamente a fuga de integrantes das duas facções para o território paraguaio.
Impactos da designação terrorista dividem autoridades
A nova classificação das facções como grupos terroristas pelos Estados Unidos gera debate entre as autoridades brasileiras. Alguns delegados da Polícia Federal avaliam que a medida pode ser positiva, enquanto outros temem que ela prejudique a cooperação policial e o intercâmbio de informações de inteligência com os norte-americanos.
Com a nova designação, eventuais investigações conduzidas pelos EUA passam a ser tratadas como questão de segurança nacional, o que poderia impedir o repasse de informações ao Brasil.
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Robertson, afirmou, em entrevista à CNN na semana anterior, que a classificação não prevê qualquer ação militar no Brasil e que a cooperação policial entre os dois países continua.
Robertson deixou claro que a designação trata, sobretudo, da atuação do PCC e do Comando Vermelho em território norte-americano, com o objetivo de asfixiar financeiramente o crime organizado e cortar os ativos das facções nos Estados Unidos.