Total de desperdício de água no Brasil poderia abastecer 77 milhões

Um estudo que analisa os impactos ambientais, econômicos e sociais da ineficiência no controle de perdas de água no Brasil aponta que o volume de água desperdiçado no país seria suficiente para abastecer cerca de 77 milhões de pessoas. 

Segundo o levantamento, o volume perdido é mais que o dobro do número de brasileiros sem acesso ao abastecimento de água, estimado em cerca de 33 milhões de pessoas.

O “Estudo de Perdas de Água 2026: Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil” foi elaborado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a consultoria GO Associados. 

As perdas de água podem ocorrer ao longo do processo de abastecimento por diversos motivos, como vazamentos nas redes de distribuição, falhas de medição e consumos não autorizados. 

 

As análises indicam ainda que a redução das perdas totais dos atuais 39,53% para 25% possibilitaria a economia de 2,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano. Esse volume seria suficiente para abastecer, durante dois anos, aproximadamente 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis. 

Além disso, a diminuição das perdas ampliaria a disponibilidade de recursos hídricos para a população sem a necessidade de captação em novos mananciais. A quantidade de água perdida fisicamente em 2024 equivale ao desperdício diário de cerca de 4,8 mil piscinas olímpicas ou 16,2 milhões de caixas d’água destinadas a uma família de cinco pessoas. 

Desempenho por região

Na análise regional entre 2020 e 2024, o Nordeste foi a região que apresentou a maior piora nos indicadores, com aumento de 0,46 ponto percentual nas perdas. Já o Norte registrou melhora, com redução de 1,79 ponto percentual no mesmo período. 

Entre os 100 municípios mais populosos do Brasil, apenas 12 foram classificados como excelentes por apresentarem índices de perdas na distribuição de até 25% e perdas por ligação de até 216 litros por dia, atendendo simultaneamente às metas estabelecidas pela Portaria nº 788/2024. Entre as capitais que alcançaram esse desempenho estão Goiânia (GO), Teresina (PI) e Campo Grande (MS). 

Considerando apenas as capitais brasileiras, quatro das 27 cidades, sendo elas Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina, registraram índices de perdas inferiores à meta de 25% definida pela Portaria nº 788/2024. A média entre as capitais foi de 39,30%. 

Diante desse cenário, o estudo conclui que as perdas de água seguem em níveis elevados no Brasil e que o aprimoramento da gestão e da eficiência dos sistemas de distribuição é fundamental para o avanço da universalização do saneamento básico. 

O Instituto Trata Brasil (ITB) foi criado em 2007 com o objetivo de contribuir para a ampliação do saneamento básico e para a proteção dos recursos hídricos no país. 

 

 

*Sob supervisão de Thiago Félix

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