Mais de 2,5 milhões de brasileiros procuraram tratamentos do SUS (Sistema Único de Saúde) para parar de fumar em 2025, o que representou um aumento de 95% em relação a 2022, que registrou 1,2 milhão. O crescimento se deve à criação de novos programas antitabagismo da rede pública na atenção primária, sobretudo nas UBS (Unidades Básicas de Saúde).
As atividades coletivas voltadas para usuários de tabaco, que incluem rodas de conversa, ações educativas e encontros conduzidos por profissionais da saúde, passou de 61,9 mil para 157,1 mil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O número de participantes também sofreu aumento significativo: de 1 milhão para 2,1 milhões.
“Os dados mostram que mais brasileiros estão procurando ajuda e que o SUS está preparado para acolher essa demanda, com equipes capacitadas, acompanhamento contínuo e medicamentos gratuitos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Nosso compromisso é garantir que qualquer pessoa que queira parar de fumar encontre apoio perto de casa.”
Para o líder da pasta, os números estão diretamente relacionados ao reforço da Atenção Primária à Saúde por meio da criação de novas equipes especializadas. Equipes de Saúde da Família, eMulti (Equipes Multiprofissionais) e do Sesb (Serviço de Especialidades em Saúde Bucal) aumentaram em 21,8 mil, o que ampliou a capacidade de atendimento em muitos territórios. Atualmente, o número total de equipes da atenção primária ultrapassa 104,3 mil.
Apesar da procura, número de fumantes segue alto
Os avanços no tratamento para o tabagismo ainda enfrentam barreiras no Brasil,sobretudo a introdução de DEF (Dispositivos Eletrônicos para Fumar) e de outros produtos com nicotina sintética, principalmente entre jovens.
De acordo com o Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), a porcentagem de uso entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 10,1% em 2024, maior índice da série histórica para essa faixa etária. Entre adultos, a frequência de adultos que fumam ou utilizam dispositivos eletrônicos passou de 11,3%, em 2019, para 13,1%, no mesmo ano.
Grupos de Cessação do Tabagismo são alternativa gratuita oferecida pelo SUS
Para quem deseja parar de fumar, as UBS de referência de cada território oferecem programa que conta com o acompanhamento multiprofissional, que pode incluir atendimentos individuais e em grupo. As metodologias do sistema são padronizadas e se baseiam em abordagem cognitivo-comportamental.
O grupo de apoio é composto por enfermeiros, farmacêuticos e médicos, que realizam sessões com o objetivo de informar e auxiliar o paciente na redução gradual do tabagismo até o fim da dependência completa. Quando necessário, também é utilizada a abordagem farmacológica, como a terapia de reposição de nicotina por intermédio de adesivos transdérmicos e medicamentos administrados oralmente.
Os medicamentos e outros recursos como adesivos, gomas ou pastilhas de nicotina e bupropiona são oferecidos gratuitamente. O tratamento intensivo dura em torno de 3 meses, seguido de acompanhamento por um ano. A iniciativa integra o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que é reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um dos melhores do mundo.