Hackers invadem perfil de oficial dos EUA e divulgam propaganda pró-Irã

Hackers invadiram a conta de Instagram de um alto oficial da Força Espacial dos Estados Unidos e publicaram temporariamente uma série de conteúdos de propaganda pró-Irã e antiamericana, alguns fazendo referência à Guerra do Vietnã.

Um vídeo analisado pela CNN utilizava áudio de “Hanoi Hannah”, uma notória propagandista da Guerra do Vietnã, dizendo aos soldados americanos para “abandonarem um navio que está afundando”.

O vídeo também exibia imagens de Ali Larijani, importante autoridade de segurança iraniana, morto semanas após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Em uma publicação no Facebook na noite de domingo, o suboficial-chefe John Bentivegna, principal militar graduado da Força Espacial, aconselhou seus colegas a não clicarem em links nem interagirem com os vídeos publicados por sua conta.

“Estamos trabalhando com as equipes apropriadas para recuperar o acesso e resolver o problema o mais rapidamente possível”, afirmou Bentivegna.

Um porta-voz da Força Espacial confirmou a invasão, mas se recusou a responder perguntas sobre quanto tempo o conteúdo permaneceu publicado na conta de Bentivegna ou quem foi responsável pelo incidente.

A Força Espacial desempenhou um papel significativo nas operações militares dos EUA contra o Irã. O presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, atribuiu à força o uso de “efeitos não cinéticos” para dificultar as defesas iranianas quando os Estados Unidos começaram a bombardear o Irã em 28 de fevereiro.

Líderes militares americanos têm alertado repetidamente suas tropas de que seus telefones e contas online podem se tornar alvos durante a guerra.

O Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelo Oriente Médio e outras regiões e que lidera a campanha militar americana contra o Irã, informou recentemente ao Congresso que havia “recebido múltiplos relatos de ameaças relacionadas à exploração de dados comerciais de localização por adversários para rastrear ou monitorar militares americanos em operação”.

No fim de abril, vários integrantes do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, funcionários civis e seus familiares receberam o que a Marinha classificou como ameaças “não comprovadas” por mensagem de texto de um grupo suspeito de hackers iranianos.

Uma das mensagens analisadas pela CNN dizia: “Suas identidades são totalmente conhecidas por nossas unidades de mísseis, e cada movimento que vocês fazem está sob nossa vigilância.”

A invasão da conta de Instagram de Bentivegna é apenas o episódio mais recente da guerra de propaganda que tem acompanhado o conflito entre os Estados Unidos e o Irã.

Em março, hackers iranianos invadiram o e-mail pessoal do diretor do FBI, Kash Patel, e divulgaram algumas de suas fotos e mensagens antigas. Jovens iranianos também utilizaram inteligência artificial para criar vídeos virais em estilo Lego ridicularizando o presidente Donald Trump, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o esforço de guerra americano.

Por sua vez, a Casa Branca e o Comando Central dos EUA divulgaram vídeos de ataques militares editados de forma sofisticada que, para muitos observadores, lembram videogames como Call of Duty.

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