Itens da Copa do Mundo ficam 11,5% mais caros desde 2022, aponta Neogrid

A inflação dos itens mais consumidos no período da Copa do Mundo segue pressionando o bolso dos brasileiros, apesar de um cenário recente de maior estabilidade nos preços.

A pedido do CNN Money, um levantamento da Neogrid mostra que, em um churrasco com bebidas para 10 pessoas, o custo médio por pessoa subiu 11,5% desde a Copa do Mundo de 2022, passando de R$ 50,91 para R$ 56,78 em maio de 2026.

O estudo analisou preços de categorias associadas ao consumo durante partidas de futebol, como carnes, bebidas, petiscos e itens para churrasco, considerando dados de pequenos varejos, supermercados, hipermercados e atacarejos em todo o país.

A comparação leva em conta os preços registrados em dezembro de 2022 e maio de 2026.

Entre os principais vilões da inflação da cesta estão os cortes bovinos. A alcatra teve alta de 22,5% no período, saltando de R$ 46,21 para R$ 56,67 o quilo. O contrafilé avançou 16,4%, enquanto a fraldinha subiu 12,5%.

Ainda entre os itens de churrasco, o carvão acumulou aumento de 19,7%.

Nos refrescos, os refrigerantes registraram as maiores elevações. A bebida gaseificada sabor fruta ficou 21,2% mais cara desde a última Copa, enquanto a de cola avançou 20,6%.

As cervejas apresentaram aumentos mais moderados, com alta de 10,3% para as bebidas claras, enquanto a versão sem álcool teve alta de 13,5%.

A pesquisa também identificou forte oscilação nos chamados produtos de indulgência e petiscos. A barra de chocolate acumulou alta expressiva de 67,7% desde 2022, enquanto snacks e batatas chips tiveram aumentos próximos de 20%. Por outro lado, alguns itens registraram baixa, como pipoca pronta e salgadinhos.

Segundo a Neogrid, o custo total estimado de um churrasco para dez pessoas passou de R$ 293,06 em 2022 para R$ 326,67 em 2026. Já os gastos com bebidas avançaram de R$ 216 para R$ 241,10 no mesmo período.

Apesar da pressão acumulada no longo prazo, o levantamento aponta uma desaceleração recente da inflação da cesta da Copa. Entre 2025 e 2026, o custo total por pessoa ficou praticamente estável, passando de R$ 61,54 para R$ 61,19.

De acordo com a empresa de dados, isso ocorreu porque a queda nos preços de algumas proteínas compensou a alta moderada das bebidas.

Consumo

O comportamento do consumidor durante grandes eventos aumenta rapidamente a demanda por categorias ligadas à socialização e conveniência, como carnes, bebidas, snacks e itens para churrasco, segundo Marcelo Alves, gerente executivo de dados da Neogrid.

“Quando indústria e varejo compartilham dados, inteligência de demanda e visão de execução, conseguem responder com mais agilidade às oscilações de consumo e assegurar que o produto certo esteja disponível, na hora certa e no local certo”, explica Alves.

Eventos como a Copa do Mundo exigem maior integração entre indústria, varejo e distribuição para evitar problemas de abastecimento e desperdícios, de acordo com o gerente executivo de dados da Neogrid.

“Em períodos de consumo sazonal intenso, como a Copa do Mundo, o abastecimento deixa de ser apenas uma operação logística e passa a ser uma estratégia conjunta entre indústria, varejo e distribuição”, afima Alves.

O executivo ainda destaca que, mesmo com a recente acomodação dos preços, o consumo associado à Copa continua pressionando categorias estratégicas.

“Em momentos de pico sazonal, o consumidor é menos tolerante à falta de produtos e mais sensível à experiência de compra. Por isso, transformar dados em decisões rápidas e colaborativas se torna um diferencial competitivo para toda a cadeia”, explica.

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