Fim da “taxa da blusinha” ameaça competitividade, diz Flávio Rocha

A revogação da chamada “taxa das blusinhas” acende um alerta no setor varejista. A cobrança de 20% sobre importações de até US$ 50 virou alvo de críticas após o governo zerar a tarifa federal. Para Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, a medida ameaça a competitividade da indústria nacional. “O risco é o Brasil se tornar o primeiro e único país ‘desprotecionista’ do mundo”, afirmou durante entrevista ao último programa desta temporada do Hot Market, apresentado por Rafael Furlanetti.

Rocha destacou que o comércio internacional de roupas cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Segundo ele, antes da pandemia, as compras cross-border representavam apenas 0,5% do varejo têxtil brasileiro, mas hoje já alcançam cerca de 25% do mercado. Na avaliação do empresário, a diferença na carga tributária cria uma disputa desigual para as empresas brasileiras. “Não é justo um player brasileiro que emprega costureiras, motoristas e operadores de caixa pagar 90% de imposto”, disse. Ele afirmou que não defende taxação ao consumidores, mas sim igualdade tributária para empresas.

Estado em expansão e carga tributária recorde

Durante a conversa, Flávio Rocha também falou sobre os principais desafios para as indústrias, o empresário utilizou uma analogia para descrever o cenário atual: “Uma sociedade é como uma carruagem. Tem o peso da sua carruagem estatal e tem a sua força de tração. Essa sociedade será tão competitiva quanto for a força de tração em relação à carruagem.” Para ele, o Estado brasileiro vem se hiperltrofiando de forma preocupante, com crescimento exponencial do gasto público nos últimos anos.

O empresário também afirmou que esse excesso de gastos contribui para juros elevados e para o avanço da carga tributária no país. Segundo ele, a tributação efetiva no Brasil seria maior do que os 32% geralmente divulgados, já que o peso dos impostos recai sobre a parcela formal da economia. Ele comparou o cenário brasileiro ao de países desenvolvidos e afirmou que não há nações de primeiro mundo com um nível de tributação semelhante.

Reforma trabalhista e ações judiciais

O aumento no número de ações trabalhistas no Brasil também foi destacado pelo presidente do conselho da Riachuelo durante a entrevista: “Dos 4 milhões de processos trabalhistas registrados no último ano no mundo, 3 milhões foram movidos no Brasil”, afirmou. Na avaliação de Flávio Rocha o cenário de decisões judiciais enfraqueceram os avanços promovidos pela reforma trabalhista liderada por Rogério Marinho. “A conquista civilizatória da reforma trabalhista foi totalmente desidratada e deformada”, lamentou.

O último programa desta temporada do Hot Market vai ao ar neste domingo (31) às 23h15, na CNN Brasil. Haverá uma reprise na segunda-feira (1º), às 19h, no CNN Money.

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