Após os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” no fim de tarde desta quinta-feira (28), parlamentares governistas e de oposição repercutiram a decisão nas redes sociais.
Aqueles que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram veementemente a medida, classificando como “intervenção direta na soberania nacional”, enquanto membros da oposição parabenizaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atribuindo a decisão do governo americano ao encontro do senador com Donald Trump, nesta semana.
Até a publicação desta reportagem, o governo brasileiro não havia se manifestado sobre o anúncio dos EUA.
O que diz a base
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) utilizou suas redes sociais para criticar a decisão que, segundo ele, contraria os “mais básicos pressupostos do Direito” e disse que Flávio e Eduardo Bolsonaro devem ser responsabilizados por um eventual “ato de guerra dos EUA contra o Brasil”.
“O que isso significa? Uma ameaça gravíssima à soberania nacional! A lei norte-americana autoriza ataques físicos, logo, atos de guerra, contra o território de países em que tais organizações atuam, de acordo com os ditames dos EUA”, escreveu.
Outro parlamentar, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), também publicou críticas ao anúncio publicado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo ele, a nova classificação trará consequências negativas para o Brasil, vulnerabilizando o país para “abrir espaço para intervenção militar dos EUA” em território brasileiro.
“Essa classificação do CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA terá consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, os investimentos estrangeiros e é um ataque brutal à nossa soberania. Eduardo e Flávio são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia. São traidores da Pátria! É isso que tá em jogo!”, postou em suas redes sociais.
O ex-deputado federal Ivan Valente (Psol) também criticou a decisão que, para ele, se classifica como “intervenção direta na soberania nacional”.
“Decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas é intervenção direta na soberania nacional. Brasil não tolerará ingerência em suas decisões na sua legislação e interferência nos poderes. Justiça deve intervir para julgar e prender traidores da pátria. Vergonhoso o papel da familicia Bolsonaro”, afirmou.
O que diz a oposição
O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ),foi um dos primeiros a se manifestar sobre a decisão dos Estados Unidos. Repostando o anúncio de Marco Rubio sobre a classificação nas redes sociais, ele comentou “Grande dia”.
O senador também compartilhou um vídeo delcarando que fez mais pelo Brasil do que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Em uma viagem como pré-candidato, fiz mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus dezessete anos de mandato”, disse o senador, que afirmou ter ido aos Estados Unidos “trabalhar”. Ele agradeceu ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio.
O primogênito de Jair Bolsonaro também acusou o atual governo de ser conivente com o crime organizado. “Um governo que não tem controle sobre o seu próprio território, que não controla nem as cadeiras, é porque é conivente com o crime organizado”, disse.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que esta quinta-feira representa um grande dia para “quem acredita em lei, ordem e justiça”.
“Lula passou semanas tentando convencer os Estados Unidos de que PCC e Comando Vermelho não deveriam ser tratados como organizações terroristas. Fracassou. Trump ignorou os apelos do governo brasileiro […]. Hoje foi um péssimo dia para quem relativiza o crime. E um grande dia para quem acredita em lei, ordem e justiça”, escreveu.
Senador pelo Paraná, Sérgio Moro (PL) também parabenizou a “diplomacia” do colega Flávio Bolsonaro. “Diplomacia de Flavio Bolsonaro rendeu mais do que o lobby pró-crime do Lula”, publicou.
Classificação de facções como terroristas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que classificou o PCC e o PV como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
O comunicado, assinado pelo secretário Marco Rubio, também afirma que os EUA pretendem designar os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, destaca o texto.
Ainda de acordo com o comunicado, o governo Trump usará todas as ferramentas disponíveis para manter drogas ilícitas fora do território norte-americano e interromper o fluxo de recursos que financiam “narcoterroristas violentos”.
“A ação tomada hoje pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”, concluiu o anúncio.