A JBS está formando açougueiros para capacitar uma mão de obra em falta no mercado e impulsionar as vendas de carnes no varejo.
Em parceria com a APAS (Associação Paulista de Supermercados), a companhia já formou mais de 300 profissionais, o que dá em média um açougueiro por dia ao longo do último ano por meio do programa Açougueiro de Valor.
A iniciativa que foi lançada durante a APAS Show do ano passado já atendeu profissionais de mais de 80 redes supermercadistas no estado de São Paulo.
De acordo com a Associação, apenas no estado de São Paulo, existem mais de 4 mil vagas abertas para açougueiros.
A função representa cerca de 13% das vagas disponíveis no varejo alimentar e já ocupa a terceira posição entre os cargos mais demandados do setor.
Para Erlon Ortega, presidente da APAS, o déficit de profissionais qualificados se tornou um gargalo relevante para a operação dos supermercados.
“Nesse momento, temos uma dificuldade no setor com a disponibilidade de mão de obra capacitada para o setor de açougue. E dentro do programa a gente consegue formar esses profissionais”, afirmou.
Segundo Daniela Perez, gerente de Marketing da Friboi, a categoria de carne bovina segue como a principal proteína consumida pelos brasileiros e mantém crescimento expressivo no varejo.
“Em 2025, a categoria movimentou um faturamento de R$ 32 milhões, um resultado 30% superior ao da carne de frango e praticamente três vezes maior que a carne suína”, salientou.
A executiva destacou ainda a relevância da categoria no comportamento de compra do consumidor brasileiro.
“Estamos falando de um produto presente em 97% dos lares do país. Só no último ano, mais de 1,12 milhão de novos consumidores passaram a comprar a categoria”, disse Daniela.
De acordo com ela, mesmo diante de fatores como inflação e pressão de preços, o consumidor continua priorizando a proteína bovina.
“A gente se preocupa com o cenário econômico e com o impacto no consumo, mas o brasileiro valoriza e prioriza essa categoria”, disse.
De acordo com o Presidente da Friboi, Renato Costa, a carne bovina representa cerca de 80% das vendas de um açougue.
“Estamos usando a expertise da empresa para formar profissionais mais preparados tecnicamente e capazes de entregar uma melhor experiência ao consumidor”, destacou Costa.
Formação
Os participantes do programa passam por uma formação prática dentro de unidades da companhia, acompanhando desde o recebimento dos animais até as etapas de processamento e operação industrial.
A capacitação inclui técnicas de manipulação de cortes bovinos, redução de perdas, operação de varejo, vendas e experiência de compra.
Além disso, a estratégia faz parte de um movimento mais amplo da JBS para fortalecer sua presença no varejo por meio de execução em loja e gestão de categorias.
Para o CEO global da empresa, Gilberto Tomazoni, a disputa no varejo deixou de ser apenas por espaço nas gôndolas e passou a depender da capacidade de gerar relevância na decisão de compra.
“Os programas da Friboi e Seara para o varejo sintetizam a estratégia global da JBS no relacionamento com seus clientes. Hoje, a disputa não é apenas por espaço na gôndola, mas por relevância na decisão de compra e isso se constrói com execução, serviço e consistência”, reportou.
Por isso, a empresa vem ampliando as iniciativas voltadas à conveniência e à experiência no balcão, como a Rotisseries e o Empórios, focados em produtos prontos, organização operacional e qualificação de operadores.
Padronização
Durante a Apas Show 2026, a JBS promoveu um encontro que reuniu representantes da pecuária, do atacado e do varejo.
A companhia destacou como a consistência no padrão dos produtos no ponto de venda influencia diretamente a experiência de compra e os resultados do varejo.
No evento, a empresa também realizou um workshop prático sobre cortes bovinos, com demonstrações de técnicas de desossa e porcionamento.
A iniciativa teve como foco orientar o setor sobre como manter o padrão de qualidade, melhorar o aproveitamento das peças e reduzir desperdícios.
Por conta desse cenário, a companhia vem ampliando programas de padronização operacional, ambientação de balcões, treinamento de equipes e desenvolvimento de soluções voltadas ao aumento de vendas e redução de desperdícios.
Segundo dados da Nielsen, lojas de grande porte com açougue premium registram vendas totais 30% maiores do que lojas com açougue tradicional.
A empresa também tem investido em tecnologia para preservar o frescor dos produtos, reduzir o acúmulo de líquidos nas embalagens e garantir melhor apresentação no ponto de venda.
“Quando a execução melhora, toda a cadeia ganha. O varejista aumenta rentabilidade, o consumidor compra melhor e a indústria fortalece suas marcas. É esse alinhamento que sustenta o crescimento no longo prazo”, disse Tomazoni.
Os próximos passos da empresa é expandir o modelo de formação para outras regiões do país.