Professor: Líbano incluso no acordo EUA x Irã é inaceitável para Israel

Iranianos e americanos avançaram de forma significativa nas últimas duas semanas em direção a um acordo, segundo Hussein Kalout, professor de Relações Internacionais da USP e pesquisador de Harvard ao WW.

Kalout detalhou os principais pontos de tensão nas negociações, destacando o papel central do Líbano como obstáculo para a conclusão do entendimento.

De acordo com o professor, esse avanço levou os iranianos a se deslocarem até Doha para concluir um diálogo sobre a liberação de recursos.

Os paquistaneses, que atuam como mediadores, foram considerados efetivos nesse processo.

O nó libanês nas negociações

Os iranianos exigem que o Líbano seja incluído no escopo do acordo como condição para a pacificação do conflito com os americanos.

Segundo Kalout, os Estados Unidos não teriam objeções a essa inclusão.

“O problema é Israel”, afirmou o pesquisador. “Israel não admite que no âmbito do acordo o Líbano seja incluído, porque para Israel isso seria uma derrota.”

A questão central, portanto, é que os americanos precisariam separar o Líbano do acordo geral — algo que os iranianos recusam.

Para Israel, manter o Líbano fora do arranjo representaria, “em certo sentido, uma salvação” para o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que, segundo Kalout, está atrás nas pesquisas eleitorais israelenses e enfrenta pressão no contexto político interno.

Kalout apontou ainda que, nos últimos dias, houve uma ampliação das incursões militares israelenses no Líbano.

Segundo o pesquisador, essa escalada tem um objetivo claro: pressionar o governo libanês a assinar um acordo de paz.

“Pressionando o governo libanês a um acordo de paz, ele teria algo a oferecer no contexto político interno”, explicou Kalout, referindo-se a Netanyahu.

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