O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta terça-feira (26) ter convicção que os diferentes setores econômicos vão se adaptar à redução na escala de trabalho. Em entrevista à CNN, o deputado afirmou que o Congresso estará à disposição para ajudar nessa adaptação.
De acordo com Motta, essa é uma decisão política já tomada no Congresso e que muitos empresários desenham cenários catastróficos para a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas que isso não está colocado como uma realidade.
“Lá atras, quando se acabou com a escravidão, se fez um exercício de previsão de que o país não suportaria. Da mesma forma está se construindo um clima de pessimismo sobre a redução. Eu tenho a plena convicção de que, quando o Congresso promulgar essa emenda constitucional, todos os setores irão se adaptar e nós estaremos aqui politicamente para ajudar os setores a se adaptarem O que há é a decisão politica de se fazer essa mudança”, disse.
Motta também reforçou que a redução não terá um impacto significativo na redução da produtividade, já que outros fatores interferem no aumento da produção de cada setor. Ele cita como exemplo o avanço tecnológico e o fim da burocratização.
“Eu discordo dessa afirmação. Se a produtividade está baixa não é por uma classe trabalhadora que não trabalha. Pelo contrário, temos uma das maiores escalas do mundo. Aumentar a produtividade passa por uma discussão do país como um todo: investimento em tecnologia, industrialização e redução da burocratização. O discurso de que a redução é vilão para a produtividade não está correto”, afirmou.
Um dos questionamentos do empresariado são as especificidades de cada setor na redução da escala. Motta destacou que o projeto de lei enviado pelo governo será usado para tratar dos detalhes da redução e as particularidades de cada setor da economia.
O presidente da Casa também destacou os benefícios da mudança da escala para a saúde dos trabalhadores. De acordo com ele, a redução na jornada dará mais qualidade de vida aos trabalhadores e pode, inclusive, ajudar a reduzir o número de atestados médicos pedidos nas empresas.