O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, voltou atrás na decisão de destituir sua equipe de defesa na manhã desta segunda-feira (25), durante a abertura do julgamento pelo Tribunal do Júri no Rio de Janeiro.
A mudança de postura ocorreu após o Ministério Público (MP) solicitar sua transferência para o presídio de segurança máxima Bangu 1, sob a acusação de que o réu estaria utilizando manobras para postergar o processo.
Tentativa de adiamento e reação do MP
No início da sessão, Jairinho alegou que seria “impossível” ser julgado devido ao estado de saúde de seu advogado principal, Fabiano Lopes, que sofreu um infarto recentemente.
O réu afirmou que não teve tempo hábil para alinhar estratégias com os demais membros da banca e pediu o adiamento do júri.
Em resposta, o promotor do caso classificou a atitude como uma tentativa de “não querer encarar a realidade” e ressaltou que a defesa acompanha o processo há anos.
Diante da possibilidade de suspensão, o MP pediu que Jairinho fosse retirado de Bangu 8, unidade destinada a presos com curso superior e perfil midiático, e enviado para Bangu 1, local de isolamento para lideranças criminosas e detentos de alta periculosidade.
Avaliação da juíza e reconstituição da banca
A juíza Elizabeth Machado Louro, titular do II Tribunal do Júri, reforçou que a sociedade não pode ser mantida “refém” de interrupções processuais.
Após uma pausa nos trabalhos e consulta com seus advogados, Jairinho decidiu reconstituir parte de sua defesa. Dos cerca de 20 profissionais que atuavam no caso, ele optou por manter quatro nomes para dar continuidade ao julgamento.
Com a decisão, o Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres, foi oficialmente instalado para analisar as acusações.
Acusações e contexto do crime
Jairinho e a ex-mulher, Monique Medeiros, são julgados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Segundo o laudo do IML, a criança sofreu 23 lesões e morreu por hemorragia interna provocada por ação contundente, descartando a versão inicial de acidente doméstico apresentada pelos réus.