Investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 9,64 bilhões da Bolsa de Valores brasileira, a B3, desde o início do mês de maio. Este é o maior recuo mensal parcial deste abril de 2024, quando o mês total registrou saída de R$ 11,36 bilhões. Os dados foram compilados pela consultoria Elos Ayta.
Desde o recorde em janeiro de 2026, quando o valor total bateu R$ 26,31 bilhões em entradas de capital estrangeiro, a B3 vinha registrando quedas consecutivas nesse tipo de aporte, devido a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O conflito ainda teve influência na inflação brasileira, que registrou alta de 0,67% em abril e tem sido fator crucial para corte de juros mais modestos e cautelosos pelo Banco Central.

No acumulado do ano, a Bolsa mostra saldo positivo, mesmo que com a queda abrupta. Até 15 de maio, a entrada líquida de recursos estrangeiros somou R$ 46,90 bilhões – isso sem considerar IPOs ou Follow-Ons.

O número supera o valor registrado em 2025, ano que teve entrada de R$ 25,47 bilhões em investimentos estrangeiros. No entanto, o recorde ainda fica por conta de 2022, que somou aportes estrangeiros superiores a R$ 100 bilhões.
Segundo a análise feita, a desaceleração não indica uma reversão estrutural do fluxo, mas sim uma mudança de comportamento.
Entre os principais fatores citados pela consultoria que ajudam a explicar o movimento estão a realização de lucros após um início de ano forte, o aumento da aversão a risco em função do cenário global e oscilações em commodities relevantes, como o petróleo.
“O Brasil, nesse contexto, segue sendo tratado como um ativo de maior risco dentro dos portfólios globais, o que implica entradas expressivas em momentos de maior apetite e saídas rápidas em períodos de maior cautela.”
Apear disso, o cenário de juros e inflação no Brasil têm se apresentado com mais relevância entre os agentes financeiros.
O IPCA tem sido constantemente revisado para cima pelos economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central. Para este ano, a projeção é de que a inflação termine com alta de 4,92%, acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.
A expectativa para os juros também têm subido e agora o mercado espera a Selic a 13,25% em 2026. A taxa básica de juros, segundo o Focus, só deve voltar abaixo dos dois dígitos na próxima década.