O mercado de grãos abriu otimista nesta segunda-feira (18) após o anúncio feito pela Casa Branca. O contrato de julho para o trigo na Bolsa de Chicago avança 4% e o milho sobe mais de 3,5%.
Segundo documento divulgado pelo governo norte-americano no domingo (17) um compromisso de compra de US$ 17 bilhões em produtos agropecuários foi firmado entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping durante a cúpula em Pequim.
O valor não inclui os compromissos de compra de soja, esclareceu a Casa Branca. O mercado esperava que Pequim elevasse a meta de aquisição de soja além de 25 milhões de toneladas acordada em outubro de 2025. Ainda assim o preço da soja também reagiu esta manhã com ganhos de mais de 2% e recuperando parte das perdas da última semana. Óleo de soja sobe 1,5%.
“O anúncio da Casa Branca sinaliza possíveis aumentos nas compras chinesas de milho, trigo e sorgo norte-americanos, além de carnes”, disse à Reuters um analista de mercado em Pequim. As importações agrícolas chinesas provenientes dos EUA ainda enfrentam uma tarifa adicional de 10%, remanescente das rodadas de tarifas retaliatórias do ano passado, que reduziram drasticamente o comércio bilateral.
O Ministério do Comércio da China não falou em valores e nem deu detalhes do acordo. Em um comunicado no sábado (16) o governo chinês disse apenas que ambos os lados têm como objetivo promover o comércio bilateral, incluindo produtos agrícolas, por meio de medidas como reduções tarifárias recíprocas em uma série de produtos e sem especificar quais.
” A esperança é que a China retome as compras e de forma rotineira como ocorria antes da disputa comercial. Mas esse acordo com a China é muito vago, sem detalhes concretos. Além disso o país já deixou de cumprir declarações de intenção de compra no passado”, disse um trader europeu.
A China reduziu significativamente sua dependência de produtos agrícolas dos EUA desde o primeiro mandato de Trump, obtendo cerca de 20% de sua soja dos EUA em 2024, ano anterior ao seu retorno ao cargo, abaixo dos 41% em 2016.
Em relação a carne bovina no fim de semana a China renovou a habilitação de mais de 400 plantas frigorificas, que tinham expirado há anos. Com as medidas de salvaguarda impostas pelos chineses em 1º de janeiro, os EUA podem enviar, sem taxas, 164 mil toneladas de carne bovina. E nem 1 mil tonelada foi embarcada esse ano.