Chileno preso em avião: indisciplinados podem receber multa de R$ 17,5 mil

Germán Andrés Naranjo Maldini, chileno preso após ataques racistas em um voo que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha, é considerado um passageiro indisciplinado.

Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), casos como esse podem ser enquadrados na categoria “gravissíma”, o que pode acarretar em uma multa de R$ 17,5 mil.

A penalidade faz parte de novas medidas estabelecidas pelo órgão como forma de combate a condutas inadequadas durante voos. No entanto, imputações da Resolução nº 800 só passam a valer a partir de 14 de setembro.

Além da multa, a Anac afirma que passageiros indisciplinados que estiverem dentro do grupo de conduta “gravissíma” devem ter a inclusão do nome em uma lista de impedimento de embarque. 

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A agência ainda informou que, em meio a graviadade do caso, o ocorrido vai passar por apuração. Além disso, disse que “adotará, no âmbito de suas competências legais e regulatórias, as medidas cabíveis em conjunto com a companhia aérea e demais autoridades competentes.

A conduta do passageiro deve ser analisada de acordo com as normas da aviação civil, segundo o órgão.

Entenda o caso

Um chileno foi flagrado fazendo comentários racistas, homofóbicos e xenofóbicos dentro de um avião da Latam. O caso aconteceu no último dia 10 de maio, quando o homem tentou abrir a porta do voo e foi impedido pelos tripulantes. Ele também imitou um macaco em direção ao funcionário da companhia aérea.

O voo saiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, para Frankfurt, na Alemanha. Quando o homem voltou ao Brasil, nesta sexta-feira (15), ele foi preso pela Polícia Federal.

Um vídeo, feito pelo funcionário da Latam que foi vítima, mostra as ofensas do chileno. Antes mesmo das falas racistas, ele afirma: “Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay”, diz ao comissário de bordo.  

Veja o vídeo, cedido à CNN Brasil pelo portal @livresiguaisbr:

Mesmo depois do funcionário questioná-lo sobre o problema de ser gay e preto, o homem afirma: “A pele preta… que mais? o cheiro de preto, o cheiro de brasileiro…”. Os funcionários à bordo insistem para ele se sentar, mas o chileno rebate. “Por quê? Estou agredindo a quem? Eu não conheço ele. Você é preto, macaco…”. Em seguida, o homem passa a imitar um macaco para o funcionário. 

Após a comunicação formal das vítimas à PF, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil.

CNN Brasil apurou que o homem passou por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira, em que o juiz manteve sua prisão preventiva. Ele foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde se encontra à disposição da Justiça.

Chileno afastado da empresa

Após o caso, Germán Andrés Naranjo Maldini foi afastado da empresa em que trabalha no Chile. 

Germán é executivo comercial da Landes, empresa de fabricação de pescados, há mais de 10 anos. Em nota divulgada nesta sexta-feira (15), a Landes informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa.

“A companhia condena de forma categórica e inequívoca todos os atos de discriminação, racismo e homofobia. Esse tipo de comportamento é totalmente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que se aplica a todos os funcionários da empresa. A empresa está reunindo mais informações para tomar as decisões adequadas, de acordo com seus protocolos internos e regulamentações vigentes”. 

Na manhã deste sábado, a Landes enviou um comunicado interno aos funcionários informando o afastamento formal e preventivo de Germán do cargo. O documento foi obtido pelo portal chileno BioBio Chile e confirmado pela CNN Brasil.

O que diz a Latam

Em nota, a Latam informou que repudia o caso e presta apoio ao funcionário que foi vítima. Leia abaixo na íntegra:

“A LATAM repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia. Por esse motivo, a companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira). A LATAM esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência”.

CNN Brasil tenta localizar a defesa do chileno. O espaço segue aberto.

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