Um estudo publicado pela Sociedade Astronômica Americana apresenta uma visão mais precisa e aprofundada das propriedades das galáxias em seus ambientes, conhecidos como teia cósmica. A análise, publicada no último dia 6, foi conduzida por pesquisadores das áreas de física, astronomia e astrofísica.
Os cientistas reconstruíram o campo de densidade da teia cósmica, estrutura em larga escala do universo, o que permitiu analisar a evolução das galáxias em diferentes ambientes.
Segundo o estudo, os avanços alcançados possibilitaram reconstruções mais limpas e confiáveis da estrutura em larga escala, com regiões superdensas sem aumentar artificialmente os dados, regiões subdensas melhor preservadas e características em pequena escala recuperadas com maior precisão.
A pesquisa faz parte do programa COSMOS-Web, que permite a identificação e caracterização de galáxias massivas nos primeiros dois bilhões de anos do universo. Antes dele, o COSMOS2020 apresentava condições mais restritas. Com o COSMOS-Web, foi possível ampliar a reconstrução de forma mais confiável, oferecendo uma visão mais detalhada das propriedades das galáxias em seus ambientes.
O estudo também investigou as relações entre massa estelar, taxa de formação estelar, taxa específica de formação estelar e eficiências de extinção com as densidades das estruturas em larga escala em diferentes épocas, buscando compreender como o ambiente influencia as características das galáxias.
Os resultados foram organizados em três principais contextos: a relação entre massa estelar e ambiente; a diminuição da taxa de formação estelar em regiões de maior densidade; e as eficiências de extinção, que indicam que tanto a massa estelar quanto o ambiente contribuem para a interrupção da formação estelar.
No primeiro caso, a relação entre massa estelar e ambiente mostrou que galáxias massivas ocupam preferencialmente regiões de alta densidade. A correlação é mais forte para galáxias quiescentes, que estão no início do processo de extinção, enquanto sistemas com formação estelar apresentam dependência mais fraca do ambiente.
No segundo contexto, o estudo aponta que galáxias localizadas em regiões mais densas apresentam alterações significativas na formação estelar.
Já no terceiro, as eficiências de extinção medidas com o COSMOS-Web indicam que tanto a massa estelar quanto o ambiente influenciam a interrupção da formação estelar.
Os resultados sugerem que mecanismos internos ligados à massa predominam na extinção inicial, enquanto os efeitos ambientais ganham importância em estágios posteriores, especialmente em sistemas de baixa massa.
As correlações observadas entre massa estelar, atividade de formação estelar, processos de extinção e densidade das estruturas em larga escala indicam que a evolução das galáxias foi moldada, ao longo do tempo cósmico, por fatores intrínsecos e extrínsecos.