A atriz alemã Sandra Hüller, 48, afirmou que o trauma do pós-guerra na Alemanha se torna tangível até mesmo para pessoas que não o vivenciaram por meio de “Fatherland”, filme do diretor de origem polonesa Pawel Pawlikowski que compete no Festival de Cinema de Cannes e aborda o retorno do romancista Thomas Mann à sua terra natal.
O longa foi filmado na Polônia, utilizando cenários autênticos da época, o que contribuiu para a “presença da história”, disse ela à Reuters nesta sexta-feira, um dia após a estreia.
“É algo que acho que ainda está em nossos corpos, vindo da destruição que aconteceu na Segunda Guerra Mundial, e isso é reconhecido quando você assiste a este filme”, disse a atriz, que também estrelou o blockbuster “Project Hail Mary”. “Ele meio que te toca nesse lugar, mesmo que você não estivesse presente naquela época.”
Ambientado em 1949, “Fatherland” acompanha Mann, interpretado por Hanns Zischler, em sua primeira visita à Alemanha desde que fugiu dos nazistas, para receber o Prêmio Goethe, que leva o nome de outro dos maiores escritores do país.
Desafiando Fronteiras Políticas
Mann, que já havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura, decide viajar para Weimar, na Alemanha Oriental, e também para Frankfurt, cidade natal de Goethe, no Ocidente, em um esforço para se colocar acima da dualidade da Guerra Fria entre comunismo e capitalismo.
Ele está acompanhado por sua filha Erika, interpretada por Hüller, que está profundamente abalada pelo luto após a morte de seu irmão, Klaus. Externamente, seu pai permanece impassível.
“Não era um mundo onde as pessoas falavam sobre suas emoções como hoje”, disse Pawlikowski, cujo filme anterior em Cannes, “Guerra Fria”, levou o prêmio de melhor diretor antes de ser indicado ao Oscar.
Pawlikowski, falando a jornalistas no início desta sexta-feira, acrescentou que queria mostrar as complexidades da história, em vez de empurrar uma narrativa excessivamente simplista.
“Eu apenas tento mostrar o quão complicado tudo isso é, o que acho uma coisa muito saudável de se dizer às pessoas hoje”, acrescentou. “Se você tem certeza absoluta de que a sua narrativa está certa, isso é perigoso.”
“Fatherland”, que foi filmado em preto e branco e falado em alemão e outros idiomas, recebeu críticas entusiasmadas. O jornal The Guardian deu ao filme cinco de cinco estrelas. O longa é um dos 22 filmes que competem pelo prêmio principal de Cannes, a Palma de Ouro, que será entregue em 23 de maio.