Nota do editor: esta reportagem possui conteúdo sensível relacionado a violência sexual
Israel planeja processar o NYT (The New York Times) e um de seus jornalistas por difamação devido a um artigo que afirmava que soldados israelenses, guardas prisionais e colonos haviam usado violência sexual generalizada contra prisioneiros palestinos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou nesta quinta-feira (14) que instruiu seus consultores jurídicos a “considerarem as medidas legais mais severas” contra o jornal e Nicholas Kristof, jornalista veterano que fez a reportagem na Cisjordânia ocupada.
“Eles difamaram os soldados de Israel e perpetuaram uma calúnia de sangue sobre estupro, tentando criar uma falsa simetria entre os terroristas genocidas do Hamas e os valentes soldados de Israel”, alegou Netanyahu em um comunicado.
“Lutaremos contra essas mentiras na opinião pública e nos tribunais. A verdade prevalecerá”, acrescentou.
A ONU e grupos de direitos humanos afirmam ter documentado o uso de violência sexual tanto por Israel quanto pelo Hamas desde o ataque do grupo palestino a Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra israelense em Gaza.
Netanyahu não especificou onde ou quando o processo seria aberto. Ele também ameaçou processar o jornal em agosto passado por um artigo sobre a fome em Gaza, mas não concretizou a ameaça.
O NYT não respondeu a um pedido de comentário desta quinta-feira sobre a ameaça de Netanyahu.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira (13), após críticas de parlamentares israelenses, o jornal defendeu o artigo de Kristof, que inclui o depoimento de um palestino que afirma ter sido estuprado por um cachorro. Israel rejeita essa versão.
“Os relatos dos 14 homens e mulheres entrevistados por Kristof foram corroborados com outras testemunhas, quando possível, e com pessoas a quem as vítimas confiaram – incluindo familiares e advogados”, escreveu o porta-voz do jornal, Charlie Stadtlander, acrescentando que “os detalhes foram extensivamente verificados”.
Em seu artigo, Kristof, que escreve para a seção de opinião do jornal, afirmou: “(Nossos) impostos americanos subsidiam o aparato de segurança israelense, portanto, trata-se de violência sexual da qual os Estados Unidos são cúmplices”.