Carlo Ancelotti indica renovação com o Brasil até 2030: “Gostaria de ficar”

Carlo Ancelotti chegou ao Brasil carregando um currículo com cinco títulos da Champions League como treinador, conquistas nacionais nas cinco principais ligas da Europa e a reputação de ser um técnico capaz de aliviar a pressão em vestiários estrelados.

Um ano depois, porém, o italiano admite que comandar a Seleção Brasileira representa um desafio completamente diferente: menos rotina intensa de clubes, mais obsessão nacional e, possivelmente, o último trabalho de sua carreira.

Por enquanto, Ancelotti afirma estar aproveitando o ritmo do futebol de seleções e revelou que a renovação de contrato com a CBF até 2030 está próxima de ser concretizada.

O treinador assinou vínculo de apenas um ano ao assumir a Seleção Brasileira, em maio do ano passado, mas deve permanecer no cargo após a disputa da Copa do Mundo.

“Acho que sim, está tudo acertado, só falta assinar. Eu gostaria de ficar”, afirmou.

“Vejo um elenco com grande potencial para o futuro. Temos jovens jogadores de altíssimo nível e uma nova geração surgindo aqui com muita qualidade”, acrescentou.

O peso das vitórias e derrotas

A palavra “alívio” apareceu diversas vezes durante a entrevista. Para Ancelotti, vencer não significa exatamente felicidade, mas sim o fim temporário da pressão antes da próxima cobrança.

“Quando você vence, o que sente não é felicidade, é alívio. E quando perde, o sofrimento é físico e mental”, explicou.

A compreensão sobre esse sofrimento pode ser importante no Brasil, onde os fracassos recentes em Copas do Mundo foram tratados quase como tragédias nacionais. A Seleção Brasileira não conquista o título mundial há 24 anos.

Segundo o treinador, o objetivo é criar um ambiente calmo, humilde e suficientemente forte para suportar a pressão sem ser destruído por ela.

Mudança de ritmo

A transição do futebol de clubes para o comando de uma Seleção também alterou o ritmo de vida do treinador.

No último trabalho por clubes, à frente do Real Madrid, o próximo jogo estava sempre a poucos dias de distância. Na Seleção Brasileira, Ancelotti passou a ter mais tempo para refletir — e talvez mais espaço para pensar após três décadas acompanhando as transformações do futebol.

“É um trabalho diferente. Esse cargo me permite mais tempo para refletir, mais tranquilidade. Voltar a um clube? Acho que não. Pode muito bem ser meu último trabalho”, declarou o italiano.

Relação antiga com o Brasil

A ligação de Ancelotti com o Brasil começou ainda nos anos 1980, quando atuava pela Roma ao lado de ídolos brasileiros como Falcão e Toninho Cerezo.

Outra lembrança marcante veio na Copa do Mundo de 1994, quando era auxiliar técnico de Arrigo Sacchi na derrota da Itália para o Brasil na final decidida nos pênaltis.

Ancelotti afirmou que jamais imaginou que um dia comandaria a Seleção Brasileira — nem que a Itália ficaria fora de outra Copa do Mundo.

“Eu também não poderia imaginar, há um ou dois meses, que a Itália ficaria fora da Copa. Infelizmente, esta já é a terceira Copa consecutiva que a Itália perde”, declarou.

Os italianos foram eliminados em março após derrota nos pênaltis para a Bósnia e Herzegovina na final da repescagem.

“Para um italiano isso é triste, mas também é uma oportunidade para os italianos apoiarem o Brasil nesta Copa do Mundo”, completou.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *