A produção brasileira de gás natural é três vezes maior que o volume de produto que de fato chega ao mercado. Os dados fazem parte de nota técnica divulgada nesta terça-feira (12) pelo MBC (Movimento Brasil Competitivo) e pela Pezco Economics.
Utilizando dados do Observatório do Gás Natural, a nota identificou que o Brasil produziu em média 179 milhões de metros cúbicos por dia em 2025 e conseguiu levar aos consumidores apenas 62 milhões de metros cúbicos.
A falta de escoamento do total da produção é apontada pelo MBC como uma das dificuldades para que o gás natural fique mais barato no país. Em 2025, o valor médio do gás para a indústria brasileira ficou em US$11,32 por milhão de BTUs — unidade internacional usada para medir energia e comercialização do gás natural.
A nota técnica aponta estudo do MME (Ministro de Minas e Energia) que em um cenário de maior eficiência no escoamento e produção o preço poderia cair a um patamar próximo de US$ 7 por milhões de BTUs.
Para Rogério Caiubu, conselheiro executivo do MBC, os gargalos da cadeia reduzem justamente o potencial de o país transformar aumento da produção em energia mais competitiva.
Além dos gargalos físicos, a nota aponta que a abertura do mercado ainda depende de harmonização regulatória entre União e estados, acesso não discriminatório à infraestrutura e redução da insegurança jurídica.
O setor produtivo, ressalta o MBC, também aguarda regulamentações consideradas essenciais, especialmente as regras de acesso de terceiro às unidades de processamento e terminais.
Segundo o boletim, a diferença é explicada principalmente pelos gargalos de escoamento e processamento, além dos altos índices de reinjeção — quando o gás retorna ao reservatório por falta de infraestrutura ou dificuldade de aproveitamento comercial. Em 2024, a reinjeção atingiu 58,8% da produção marítima e 29,4% da produção terrestre.