Quem poderia substituir Keir Starmer como próximo premiê do Reino Unido?

No Reino Unido, Keir Starmer comprou a briga com seus potenciais rivais e contrariou os apelos para que renuncie ao cargo de primeiro-ministro britânico. Em vez disso, ele desafiou seus possíveis oponentes a lançarem uma contestação formal à sua liderança do Partido Trabalhista.

Para desencadear o processo de disputa pela liderança do partido, um quinto dos parlamentares trabalhistas – ou seja, 81 – deve se unir em torno de um único candidato.

Assim que um ou mais candidatos alcançarem esse nível de apoio, seus nomes podem ser incluídos na cédula para concorrer contra Starmer, em uma eleição realizada pelos membros do Partido Trabalhista.

Apesar de quase 100 parlamentares terem pedido publicamente a renúncia de Starmer, nenhum candidato ainda lançou uma candidatura formal contra ele para disputar a liderança.

Analistas avaliam que existem apenas alguns nomes capazes de reunir as 81 assinaturas necessárias.

Aqui está uma visão geral de quem são eles.

Wes Streeting

Atualmente, existem dois grupos no Partido Trabalhista: aqueles que dizem querer uma mudança “rápida” na liderança apoiam Wes Streeting, o secretário de Saúde. Já aqueles que dizem querer uma transição de poder “ordenada” apoiam Andy Burnham, o atual prefeito da Grande Manchester – sobre quem falaremos mais adiante.

Streeting, o ministro encarregado de recuperar o debilitado NHS (Serviço Nacional de Saúde) britânico, pertence à ala direita do Partido Trabalhista.

Ele passou a maior parte da sua vida na política e em atividades relacionadas: primeiro como presidente da União Nacional de Estudantes, depois como vereador, antes de se tornar membro do Parlamento por um distrito no leste de Londres, perto do conjunto habitacional onde cresceu.

Streeting frequentemente expressou admiração pelo governo de Tony Blair, que era primeiro-ministro enquanto Streeting era estudante na Universidade de Cambridge.

Embora tenha deixado brevemente o Partido Trabalhista devido ao apoio de Blair à Guerra do Iraque, diz-se que Streeting canalizou o “blairismo” em sua missão de reformular o NHS, apoiando parcerias público-privadas e a reforma tecnológica.

Streeting já havia alertado que o NHS precisa “se modernizar ou morrer”.

Com apenas 43 anos, Streeting é considerado há muito tempo o futuro moderado do Partido Trabalhista e é elogiado como um dos comunicadores mais eficazes do governo.

No entanto, sua imagem foi prejudicada por sua amizade com Peter Mandelson, o veterano político trabalhista que foi demitido do cargo de embaixador britânico nos EUA por seus laços com Jeffrey Epstein, o criminoso sexual condenado. Dado o impacto que esse escândalo teve sobre Starmer, Streeting também pode estar manchado por essa associação.

Andy Burnham

Os apoiadores de Burnham querem que as coisas avancem lentamente porque, como prefeito de Manchester, ele não é um membro do Parlamento e, por isso, não pode – ainda – se candidatar à liderança do Partido Trabalhista.

Esse obstáculo pode se provar intransponível.

Burnham, de 56 anos, esperava concorrer a uma vaga no Parlamento por uma circunscrição perto de Manchester no início deste ano, mas foi impedido pelo Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista, em uma decisão que muitos viram como uma tentativa de impedir que o rival mais competitivo de Starmer pudesse desafiá-lo pela liderança.

A maioria das pesquisas de opinião mostra que Burnham é o político mais popular do país. Enquanto Starmer é frequentemente acusado de falta de visão política, Burnham defende o “Manchesterismo” – uma vertente do “socialismo aspiracional” favorável aos negócios, que busca reestatizar serviços essenciais e tornar a vida “viável” para os britânicos comuns.

Burnham, também formado em Cambridge, destaca o sucesso de suas políticas em Manchester – a cidade com a economia de crescimento mais rápido no Reino Unido, onde foi eleito prefeito por três mandatos consecutivos – e questiona por que sua visão ousada não pode ser levada para o resto do país.

Em Westminster, porém, Burnham teve menos sucesso.

Embora tenha sido deputado por mais de 15 anos, suas duas tentativas anteriores de se tornar líder do Partido Trabalhista foram decepcionantes.

Burnham também sofreu prejuízos após declarar à revista New Statesman, no ano passado, que o país “precisa superar essa dependência do mercado de títulos”, sugerindo que o governo deveria adotar políticas econômicas mais radicais. Os meros comentários do prefeito causaram um aumento acentuado no rendimento dos títulos do governo britânico.

Angela Rayner

Starmer é frequentemente criticado por ser formal demais e ter um ar de advogado. O mesmo não se pode dizer de Angela Rayner, sua ex-vice-primeira-ministra, cujo jeito descontraído e extrovertido agrada a muitos jovens eleitores trabalhistas e socialistas tradicionais.

Rayner, de 46 anos, cresceu na pobreza nos arredores de Manchester e tornou-se mãe aos 16.

Ela contou que não havia livros em sua casa de infância porque sua mãe – que tinha transtorno bipolar – era analfabeta. Rayner se formou como cuidadora de idosos e trabalhou como representante sindical, o que, segundo ela, a convenceu a entrar para a política.

Como vice de Starmer e secretária de Habitação, Rayner foi responsável por muitas das políticas das quais o governo trabalhista mais se orgulha. Ela implementou reformas na construção de moradias, aumentou o salário mínimo, introduziu reformas para apoiar os inquilinos e aprovou legislação para reprimir os contratos de trabalho de zero horas “exploratórios”, que entrará em vigor no próximo ano.

Rayner renunciou ao cargo de vice no ano passado após um escândalo envolvendo o não pagamento de impostos suficientes sobre uma segunda residência no litoral sul da Inglaterra. Rayner alegou que seu erro foi involuntário e baseado em aconselhamento jurídico inadequado, mas seus problemas fiscais não resolvidos podem prejudicar sua tentativa de destituir Starmer da liderança.

Em uma carta enviada a Starmer no domingo, Rayner não chegou a pedir sua renúncia, mas alertou: “O que estamos fazendo não está funcionando e precisa mudar. Esta pode ser nossa última chance.”

Zebras

A ministra do Interior, Shabana Mahmood, de 45 anos, é vista como uma estrela em ascensão no partido. Encarregada de reprimir a imigração ilegal, alguns esperam que ela possa atrair eleitores da ala direita do partido.

Ed Miliband, secretário de Energia e ex-líder do Partido Trabalhista, também é considerado um possível candidato. Em pesquisas com membros do Partido Trabalhista – em sua maioria professores, funcionários públicos e sindicalistas preocupados com o clima – Miliband é apontado como a escolha mais popular para suceder Starmer.

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