A Bancada Feminista do PSOL em São Paulo apresentou, nesta terça-feira (12), uma notícia-crime ao MP (Ministério Público) contra o vice-prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), por incentivar o uso de produtos da marca Ypê suspendidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Após a suspensão, Mello Araújo publicou dois vídeos em suas redes sociais, afirmando que o recolhimento dos produtos seria uma “injustiça”.
“Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo, com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê”, disse o vice-prefeito, pedidno que seguidores publicassem fotos ou vídeos utilizando os produtos.
A representação pede a adoção de medidas judiciais e extrajudiciais e acusa Mello Araújo de ter “praticado crimes contra a saúde pública”.
“A disseminação deliberada de fake news sobre medidas sanitárias já trouxe graves consequências na pandemia e não pode ser normalizada. É fundamental que haja investigação rigorosa e responsabilização exemplar de agentes públicos que colocam interesses políticos acima da saúde da população”, afirma a vereadora Silvia Ferraro.
À CNN Brasil, Mello Araújo negou ter desrespeitado a determinação da Anvisa.
“No primeiro vídeo, coloco uma nota oficial da Ypê, que conseguiu na Justiça a suspensão da Anvisa, ou seja, poderiam continuar a vender o produto. Então, simplesmente, como cidadão, fiz o segundo vídeo, incentivando a compra do produto que estava e está no momento autorizado pela Justiça”.
Entenda o caso
A Anvisa determinou, na última quinta-feira (7), a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos de limpeza da marca Ypê, fabricados pela Química Amparo.
A medida cautelar, publicada por meio da Resolução RE nº 1.834/2026, foi motivada pela identificação de falhas graves no sistema de garantia de qualidade e controle de produção da unidade fabril localizada na cidade de Amparo, no interior de São Paulo.
Na sexta-feira (9), os produtos foram liberados novamente após recurso apresentado pela empresa. Apesar disso, a recomendação para que consumidores evitem o uso dos itens citados na resolução permanece válida até a conclusão do processo de recolhimento.