O porta-voz do Parlamento do Irã, Ebrahim Rezaei, afirmou nesta terça-feira (12) que o país poderia enriquecer urânio a 90% de pureza, um nível considerado adequado para armas nucleares, caso o Irã seja atacado novamente.
“Uma das opções do Irã em caso de outro ataque seria o enriquecimento a 90%. Analisaremos a questão no Parlamento”, publicou Rezaei, porta-voz da comissão parlamentar de segurança nacional e política externa, em sua conta na rede social X.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda-feira (11) que o cessar-fogo em curso entre os EUA e o Irã está em “estado crítico” após rejeitar uma proposta iraniana, ressaltando a fragilidade dos esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito.
Em junho do ano passado, Trump afirmou que as instalações nucleares do Irã foram “destruídas” por ataques dos EUA e de Israel durante um conflito de 12 dias, limitando severamente a capacidade do Irã de enriquecer urânio.
O destino de cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, um pequeno passo técnico a partir de aproximadamente 90% de material para armas nucleares, permanece incerto.
As avaliações da inteligência americana sugerem que o programa nuclear de Teerã não será significativamente prejudicado, a menos que o estoque de urânio altamente enriquecido (UAE) seja removido ou destruído.
A questão nuclear tem sido um ponto crucial de discórdia nas negociações entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito que começou no final de fevereiro.
Teerã quer que os temas nucleares sejam discutidos em um momento posterior, enquanto Washington insiste que o Irã transfira seu estoque de urânio altamente enriquecido para o exterior e renuncie ao enriquecimento em território nacional.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e de Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.600 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando-a como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.