Fernando Haddad anunciou que deixará o cargo de ministro da Fazenda para disputar o governo do estado São Paulo. Pela legislação eleitoral brasileira, ministros que desejam disputar eleições precisam se desincompatibilizar – ou seja, deixar seus cargos oficiais – até seis meses antes da votação: o que neste ano ocorre no início de abril.
“Hoje pra mim é um dia especial, um dia que estou deixando o Ministério da Fazenda”, afirmou Haddad durante a abertura da 17ª Caravana Federativa em São Paulo, nesta quinta-feira (19).
“Ontem eu tive a felicidade de visitar Câmara e Senado, Alcolumbre e Motta, para agradecer o empenho que foi feito pelo Congresso para aprovar as medidas econômicas necessárias para trazer o brasil até aqui. Sem o pacto federativo ter sido recuperado, nós não teríamos chegado até aqui”, acrescentou.
Esta será a quinta campanha política que Haddad participa na condição de candidato. Primeiro concorreu e foi eleito prefeito da cidade da capital paulista, em 2012, vencendo o nome do PSDB, José Serra. Quatro anos depois não conseguiu se reeleger.
Em seguida, Haddad concorreu à Presidência da República em 2018, quando o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estava inelegível. Foi derrotado por Jair Bolsonaro (PL). Em 2022 disputou pela primeira vez o governo do estado de São Paulo. Recebeu 44,73% dos votos no segundo turno, perdendo para Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O ex-ministro aceitou o convite para ser pré-candidato ao governo estadual mais uma vez para que ajude a impulsionar a reeleição de Lula em São Paulo – um dos principais colégios eleitorais brasileiros. No entanto, pesquisas de opinião apontam uma desvantagem perante o adversário e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas.
Levantamento feito pela Real Time Big Data divulgado nesta segunda-feira (9) aponta que Haddad tem 31% das intenções de voto, contra 47% de Tarcísio. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores, entre os dias 6 e 7 de março, por meio de entrevista presencial.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo SP-00705/2026.
Haddad vinha demonstrando resistência à ideia de disputar as eleições, relatando a interlocutores estar cansado após as dificuldades para aprovar medidas econômicas no Congresso. Ele também se queixava do desgaste provocado por críticas de integrantes do próprio partido às políticas fiscais que implementou.
Além disso, Haddad chegou a manifestar a intenção de se dedicar à carreira acadêmica.
No fim do mês passado, porém, passou a admitir a aliados a possibilidade de concorrer ao governo de São Paulo.
O tema foi discutido em um jantar com o presidente Lula, voltado ao seu futuro político. Semanas antes, os dois já haviam tratado do assunto em um encontro reservado durante um café da manhã em São Paulo.
Nos bastidores, o presidente vinha afirmando a políticos próximos que a candidatura do ministro estava praticamente definida. O presidente do PT, Edinho Silva, também reforçava essa avaliação em conversas com aliados.
Entre auxiliares de Haddad, no entanto, ainda havia incerteza sobre a decisão. Agora, com a oficialização da pré-candidatura do ministro, a tendência é que as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) disputem vagas no Senado por São Paulo em uma chapa encabeçada por Haddad.