Israel e Líbano devem realizar negociações nos próximos dias para tentar alcançar um cessar-fogo que leve ao desarmamento do Hezbollah, disseram dois funcionários israelenses no domingo (15). Não foram detalhados nem cronograma nem os termos que fariam parte do acordo.
Beirute está formando uma delegação para as negociações, mas nenhuma data foi definida. O Líbano precisa de clareza sobre se Israel acatará o primeiro ponto do presidente Joseph Aoun — a exigência de um cessar-fogo completo para permitir que as negociações ocorram, disseram três funcionários libaneses no sábado (14).
As negociações esperadas foram noticiadas pela primeira vez pelo jornal israelense Haaretz no sábado.
Um funcionário libanês disse no domingo (15) que o Líbano ainda não recebeu notificação oficial de Israel sobre as discussões.
O conselheiro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Ron Dermer, está liderando as negociações por Israel, disseram os funcionários israelenses, e a França está envolvida na iniciativa.
A Rádio do Exército de Israel informou no domingo que Dermer, que anteriormente atuou como ministro de Assuntos Estratégicos, visitou a Arábia Saudita na semana passada para discutir as negociações que começariam assim que a atual campanha militar contra o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, se esgotasse.
O gabinete de Netanyahu não respondeu a um pedido de comentário. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, negou anteriormente, no domingo, que estivessem ocorrendo quaisquer negociações com o Líbano.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel, alegando que seu objetivo era vingar a morte do líder supremo do Irã. Israel respondeu com uma ofensiva que matou mais de 800 pessoas no Líbano e forçou mais de 800 mil a deixarem suas casas.
O presidente libanês, Joseph Aoun, expressou a disposição do Estado libanês para negociações diretas com Israel, buscando garantir o fim da guerra.
A disposição do Estado libanês para negociações com Israel ocorre em um momento de crescentes tensões no Líbano sobre o status do Hezbollah como grupo armado.
O governo de Beirute proibiu, neste mês, as atividades militares do Hezbollah. O grupo rejeitou a medida e continuou lutando, lançando centenas de foguetes contra Israel.
Um oficial israelense disse à Reuters na sexta-feira que a campanha contra o Hezbollah provavelmente será intensificada e continuará mesmo após o fim dos ataques contra o Irã.